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quarta-feira, julho 25, 2012

DIA DO ESCRITOR



Gosto de muitas coisas,  faço diversas outras e tento otimizar o meu tempo da melhor maneira possível. Mas escrever é minha essência, minha inquietação, meu alívio. É o que me move, salva, aprimora. As palavras são pessoas que abraço com toda a candura do meu coração. Com elas aprendi a ter compreensão (porque nem sempre se disponibilizam quando quero e da forma que idealizo) e paciência (para esperar o momento em que haja uma comunhão, uma reciprocidade neste meu namoramento com elas). As palavras cobram de mim honestidade e nudez, não há como ser leviana com um amor tão bonito (sim, aqui cabe esta redundância). E é nesta minha tentativa de achar conforto dentro do caos, que alguns corações acabam encontrando acolhimento nos meus textos. Porque, às vezes, eles são uma bronca, ou um incentivo, ou a tentativa de mostrar um ângulo novo do mundo, um sopro de esperança, mas, sobretudo, meu jeito de tentar cumprir minha missão nesta existência. Sei que esta identificação dos meus leitores é consequência da minha humanização: falo sobre coisas universais, coisas pelas quais eu passei ou passo como amor, separação, reconstrução da autoestima, etc... Eu não saberia superar um dia se eu não pudesse ter algum contato com a palavra. Esta é a minha co-dependência. Esta é a minha insônia. Esta é a minha renovação, minha alegria. E sou grata ao Universo por, às vezes, apenas uma frase ser o antídoto das minhas emergências.

Obrigada por fazerem este trajeto comigo.
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Marla de Queiroz

quarta-feira, julho 18, 2012

SOBRE O ABRAÇO




Abraço é coisa tão séria que não se empresta, se dá. E quando os corpos se encostam, todos os chakras se tocam. Abraço é coisa tão séria que junta os dois corações: pode ecoar para sempre ou esvaziar por inteiro. Pois quando a gente abraça, traz para dentro a pessoa: com bagagem, passado, infância, viagens e o principal: seu perfume espiritual. E o que recebemos nem sempre é o que damos_ por isso alguns são afagos que nutrem por um longo tempo e outros, desespero pra matar a fome, um devoramento. Recuso abraçar levianamente, abraço com meu enrosco de afeto demais, amor puro, corpo colado para o abraço ser sentido, ter sentido. Abraço que é de verdade pode até ser dado de longe, pois ultrapassa as esferas e desconhece distâncias, é todo feito de encontro. Abraço é coisa tão séria que há de ser doce, leve, divertido, espontâneo, mesmo quando acalanto, colo ou celebração. A gente agarra por impulso de carinho porque a sintonia é a mesma. E quando o abraço termina, quando ele é dado de graça, fica a cosquinha no peito, uma brisinha na alma e a harmonia instalada.





Marla de Queiroz

sexta-feira, julho 13, 2012

Passado a limpo



Quando amanhecia antes, já era noite e tudo doía. Eu tinha um punhado de angústia no peito, eu era a personificação da melancolia. Tive que aprender a estar comigo, fiz grandes e novos amigos, desenterrei o meu sorriso e arejei meu coração. Quando amanhecia, antes nunca era dia. O meu afeto pasteurizado com prazo de validade vencido. O seu abraço cinematográfico, técnico como nos filmes. Mas a cena era perfeita para quem via. Mas a cena era só encenação, eu sabia. Quando amanhecia antes, eu estava oca, fazia sol, era verão, mas me agarrava aquele frio. Havia tesão, sem comunhão.A nossa excitação pedia socorro. E almejávamos o gozo absoluto para manter incólume aquela ofegância que chamávamos de amor. Quando amanhecia, eu tinha o sono dos sonhos perdidos. Antes, eu não sabia... A noite morava em mim, nunca era dia.

Marla de Queiroz