Páginas

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Investir no sossego do próprio coração

Foto: desconheço o autor


Investir no sossego do próprio coração é algo tão complexo por causa da sua simplicidade. Porque ser simples é uma das coisas que mais dificulta a nossa vida. Investir no sossego do próprio coração é não abrir uma brecha, que poderá virar uma represa, para alguém que não está disponível afetivamente. É prestar atenção nos sinais e indícios que a pessoa dá, logo nos primeiros encontros, do tamanho do sofrimento ou da alegria que ela poderá lhe proporcionar. É saber-se só em quaisquer situações, mesmo acompanhado, pois as consequências de nossas escolhas são absolutamente nossas.

Investir no sossego do nosso próprio coração é saber que aquilo que está doendo deverá ser extirpado e não manter apego ao sofrimento, por mais que o uso do bisturi cause quase a mesma dor. É proporcionar-se bons momentos divorciando-se de tantos lamentos. É não adiar sofrimento postergando decisões tão necessárias. É não se acomodar com a falta de excitação pelas coisas, pessoas, trabalho. É saber-se merecedor de experienciar um amor inteiro, intenso, extenso, imenso, verdadeiro... Recíproco! É aumentar, um pouquinho a cada dia, o seu tamanho. É ter a certeza e a confiança de que as coisas têm um encaixe, mas que é preciso deixar ir, ou ir ao encontro, ou conformar-se com o desencontro, ou esquecer, ou lembrar-se de outras coisas, ou relacionar-se de outra forma.

Investe no sossego do próprio coração quem não rumina o que machuca, quem não fica descascando a ferida impedindo que a mesma cicatrize, quem não se disponibiliza de maneira subserviente e em tempo integral ao ponto de ser desvalorizado ou descartável, quem não aceita menos do que merece: coisas pela metade. Investe no sossego do próprio coração quem sofre, grita, chora, mas cresce! Quem não se repete, quem se surpreende consigo mesmo, quem trabalha o desapego, quem se abre para as coisas que possuem mais calor e sensibilidade.

Investir no sossego do próprio coração é coisa que não vem com a idade, mas com a ideia de que se pode vivenciar um momento de paz e repouso, é desocupar o peito para abrir espaço para o novo, é entregar-se ao desconhecido com inocência e totalidade, é não ter medo de pronunciar verdades, é ser honesto consigo, com o outro.

Investe no sossego do próprio coração quem não se contenta com pouco.

*

*

Marla de Queiroz

P.S.: Últimos exemplares do meu livro FLORES DE DENTRO. Interessados, favor mandar e-mail para marlegria@gamil.com

R$ 32,00 com frete incluso para o Brasil.

11 comentários:

Cris Teles disse...

Sem palavras para descrever o quanto esse texto é maravilhoso e o quanto me fez bem lê-lo. Parabéns por tanta sensibilidade, por tanta delicadeza! Vc é DEMAIS!!! Bjos

Graziela Marvila disse...

É ótimo poder ler todos esses pensamentos, impressões...
A arte é a pura expressão de sentimentos! Que nunca lhe falte essa sensibilidade que a faz enxergar as coisas mais simples através de lentes microscópicas.

Williane Santos disse...

Marla hoje você chegou no que estar mais a trasbordar em mim nos ultimos dias. Palavra por palavra, sem tirar nem por.


Xero, que seja linda sua semana! ;)

Ser Jovem tem dessas coisas ... disse...

Incrivel! reunião de tantos aspectos de emoções e realidade!

AquilesMarchel disse...

investir no sossego do coração pé dificil pois exige uma força muitas sobrehumana ainda mais para os que vivemn d epaixão e desassossego
nao acha?

mas o texto é lindo como sempre são os seus

honra ter falado cu vc uns segundos

Leandro Jardim disse...

É uma alegria ver como esse blog e esse livro (muito orgulho) seguem bombando! :D voltei com meu blog, beijo beijo

Drêycka disse...

Nossa... sem palavras! Incrível!!!

Francisco Netto disse...

Concordo, sábias palavras para os nossos dias tão intranquilos. Parabéns pelo blog e mensagens

At.,
Professor Francisco Netto

Unknown disse...

Me fez muito bem a leitura deste lindo texto.

Unknown disse...

Agradeço ao Universo por ter encontrado seus textos!!!!! ♡ Ass: Sua leitora q ama seus escritos. Angela Hattori

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.