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quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Paiságina

Foto: Gabriel Angra

Observo por um tempo o comportamento solitário das palavras e espero até que elas queiram se relacionar. Se encosto uma ao lado da outra e há estranhamento, talvez nasça um texto bom.Se as aproximo e o abraço imediato, talvez eu só consiga chegar ao lugar comum do romantismo.Tenho procurado em mim mais rebeldia poética.Eu queria conseguir dizer algo tão inusitado que mudasse a minha própria leitura de mundo, meus relacionamentos. Minha inquietação vem dessa vontade de me aprofundar no desconhecido sem a pretensão de conhecê-lo. E me embrenhar com entrega na coisa viscosa que é o escuro das coisas. Como um amante viril, queria adentrar o corpo do conteúdo do mundo por puro instinto, sem essa preocupação com a delicadeza. O dizível não tem me seduzido ao ponto da insônia. Eu não quero namorar o marinheiro, eu pretendo o maremoto_ criar num corpo um cais e deixar que tudo seja engolido até que eu não tenha novamente chão...e mergulhe.Ando habitada por redemoinhos e alguns versos de água doce que eu ainda não chamaria de chuva.É mais perene do que isso e fluido como um rio.Mas é meu e solitário.
Usei todos os meus recursos estilísticos até aqui porque pretendia contar uma história. Mas ela foi tão rasurada que, percebi, não pode mais ser salva.

É composta por desertos esta paiságina...

*

Marla de Queiroz

P.S.: Meu livro com dedicatória comigo pelo e-mail: marlegria@gmail.com ou pela Editora Multifoco.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Acasos Literários


Meu livro com dedicatória comigo no dia do evento ,ou pelo e-mail: marlegria@gmail.com
ou pelo site da Editora Multifoco.

P.S.: Clique na imagem para vê-la ampliada.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

FERVEreiros


Foto: Alexandre Ferrer

Na explosão do verbo,
minhas palavras vestem-se de lábios e línguas.
Na construção do enredo
meu corpo inteiro exerce a função
de explodir em gozo, anunciando carnavais
e intenções lascivas.

(Somos dois adolescentes abraçados na chuva
desaguando versos, verbos, luas e ventos.
Estar com ele é ter a medida exata do meu desejo:
desabito minha solidão
e atravesso a cidade submersa para tê-lo dentro).

Ele sabe que tenho pressa
em tecer amor nas tardes.
Ele sabe:
tenho urgência em principiar alegorias
de intensos amores
em poemas que ardem.

*

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Marla de Queiroz


P.S.: Vendas do meu livro " Flores de Dentro pela Editora Multifoco ou autografado por mim pelo e-mail: marlegria@gmail.com.

P.S.2: Meus amores, nem sei como agradecer pelos comentários sobre o livro no meu orkut, pelos e-mails incríveis que tenho recebido diariamente...Tenho recebido tanto, tanto afago que preciso de ajuda pra sentir.Obrigada também a todos que vêm sempre aqui e comentam, divulgam ou simplesmente mantêm-se no anonimato.

Estou vivendo uma primavera espiritual! Desejo o mesmo a vocês!

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Carta

É fato que fomos. Mas seria muito esquisito me despedir de você cumprindo todos os pré-requisitos dos dramas clássicos. Prefiro acreditar que você foi uma chuva precipitada que eu só tive coragem de experimentar por detrás da vidraça. Assim, como já fizemos tantas vezes com outras pessoas.Também queria te dizer que só vou me entregar à outra narrativa quando ela se tornar uma história coesa, coerente, bem elaborada. Renuncio desde agora às relações em que todos os passos levam apenas a um contato irremediavelmente externo com a palavra.Eu gosto mesmo é de misturar agudezas com tons graves. Bem se vê na escala cromática dos meus sentimentos.Meus amarelos tão vivos, primitivos.Meus vermelhos tão trêmulos. Minhas cores acesas, em brasa.Mas, no meio disso tudo, quero te contar que ando tão emendada em eventos sociais que sinto saudade da minha solidão. Ela tem o aspecto positivo de não me deixar me perder de vista. Eu preciso me olhar bem por dentro, de tempos em tempos, por um bocado de dias pra que eu continue merecendo minha poesia.É diferente da solidão que se sente quando se está acompanhado: neste caso, perdemos de vista o outro.
E tenho estado muito feliz, antes que você pergunte. Tenho mania de adiantar momentos incríveis com a força do meu pensamento, você sabe. Depois eles se materializam e eu os celebro.
Então, janeiro foi embora sem se despedir...FERVEreiro no Rio,e ontem foi dia de Iemanjá. Pensei em jogar palmas no mar como tantos, mas não tive coragem, ele estava engasgado com tanto lixo: herança de um domingo de sol.Deu até aperto no peito.Nenhuma onda e o mar calmamente imundo.
Nem era sobre isso que eu ia falar.Mas esses assuntos que mudam de rumo repentinamente se parecem muito com nós dois: desejo e poluição.
E a impossibilidade de mergulhos.



(É fato o que fomos.)


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Marla de Queiroz




P.S.: Ainda o esquema do livro autografado pelo e-mail ou pelo site ( post anterior).


P.S.: Por favor, não deixem o lixo na areia, isso é um crime ambiental grave! As ondas levam embora todo aquele plástico muito antes dos garis passarem recolhendo....isso é muito sério: ver gente que aparentemente tem educação e informação suficientes, deixando suas garrafinhas de plástico e todo o lixo consumido num fim de praia como se o mar fosse autolimpante.É vergonhoso usufruir de tudo que a natureza nos proporciona gratuitamente e deixar rastros de poluição. Sejamos mais conscientes. Sejamos um exemplo fazendo a nossa parte.
P.S.2: Na foto, meu fim de praia