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terça-feira, setembro 08, 2009

A fisionomia da saudade



Tão familiar é a fisionomia da saudade. E a lembrança da labareda alta do desejo, indo além: ao desalcance dos olhos.O toque constante, desavisado, parecendo uma distração. O olhar intenso, querendo ver o campo sutil das palavras.E toda nossa existência ampliada pelo sol do amor. Tão familiar a fisionomia da saudade, que ainda posso ver os pêlos saindo dos poros, tão junto meu rosto do teu. Das arranhaduras da carícia bem feita que uma barba mal feita faz. E um jeito de trazer minha cabeça pro lugar mais escurinho entre o travesseiro e o teu pescoço. Teu cheiro todo lá, naquele abrigo antes do sono. E no derradeiro das frases, o corpo insinuando mais que uma leitura, mais que uma dança, mais que comunhão. Das palavras que ainda inventaremos por achar tão divertido namoramar em dialeto inexistente. Tão familiar a fisionomia da saudade que meus dedos vão redigindo tua voz em meu ouvido, os sussuruídos de Guimarães nas tardes de estudo numa estação de cinema, as ignorãnças de um Manoel de Barros num feriado de tanto mar e nossos delírios poéticos nos bares de cada rua desta cidade em que somos os amantes mais excêntricos_ uma combinação perfeita de desejo, lirismo e essa nossa ternura escandalosa.
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Marla de Queiroz

P.S.: Esse desenho lindo e outras coisas incríveis você encontrará no MUKIFUCHIC.

P.S.2: Amores, dia 11/set, sexta-feira é dia da campanha DOE UM LIVRO. Já fizemos isto aqui uma vez e foi lindo! Funciona assim: escolha um livro que tenha lido e gostado, escreva uma dedicatória para um desconhecido (para que ele saiba que não foi perdido, que foi dado de presente) e abandone pela cidade, em algum lugar protegido em caso de chuva: ônibus, bar, cinema, enfim....Já separei o meu. OBRIGADA SEMPRE!


8 comentários:

Ana Castilhos disse...

Queridona, sempre uma honra ilustrar sua obra! Sou sua fã infinitamente.
Bjooos

meupianoemverso disse...

De uma ternura escandalosa...

Juliêta Barbosa disse...

Marla,

Ando sentindo saudade de tanta coisa...Mas, muito mais de mim, quando não estava perdida nesse emaranhado de sentimentos contraditórios...
É que, agora, é tão familiar a dor que a saudade deixou que, durmo e acordo, desejando o assombro dos dias iguais, onde tudo era igualmente familiar, mas não doía tanto.

la fille au verre d´eau disse...

ola! estou lendo o seu livro, conheci pela Milena Paixão, é TÃO lindo, me faz bem =)
ja ja espero adquirir o meu tambem!
parabens, muita luz pra vc =**

Claudia Trevisan disse...

De uma ternura escanadalosa! Um Mosaico lindo!!! :)
Sempre assim... Não existe um, sequer, que não goste. Fechação!!!!

Claudia Trevisan disse...

Ah!
Me explica como faço pra colocar legenda na foto!!!

Obrigado!

Thaisinha... disse...

E é assim que me sinto, tão desfocada de todos, mas ao lado dela...saudade.

Paulo Viggu disse...

Marla, querida, mandei e-mail pra ti. Quero um L I V R O seu. Faça um contato. Beijo aí - Paulo Viggu