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sexta-feira, maio 29, 2009

Sobre a liberdade



Foto: Bruno Abreu


Impor limites não é uma estratégia, não é uma falta de liberdade, é uma libertaçãoÉ preciso se conhecer muito e ter muita sensibilidade e respeito por si e pelo outro para ter a sinceridade de dizer: comigo você só poderá chegar até aqui. Porque o meu limite acaba sendo o de alguém também.É como um aviso: se você tentar ir além, vai invadir, estragar, tentar corromper e eu não quero, não deixo. É pedir pro outro que desenvolva certa sensibilidade.Não há mal nenhum em saber dizer que a gente só pode, por enquanto, ir até aquele determinado ponto. Isso é de um profundo respeito por todo mundo.

Quem sabe impor limites aprendeu a dizer um não sincero, em vez de dizer sim e fugir depois agoniado deixando alguém num deserto de dúvidas sobre o que possa ter acontecido. Quem aprendeu a impor limites, aprendeu também a não se magoar com os nãos sinceros que recebeu, mas a agradecê-los.Quem acha que ser livre é não ter limites, acaba sendo escravo de um comportamento, de um vício, de uma alegria, de uma convicção, de um relacionamento que não se pontua nunca. Isto é limitador. Ser livre é saber estabelecer limites dentro daquele contexto e ainda assim poder olhar pro mundo e para si próprio com uma visão ilimitada:_o que significa saber que tudo é impermanência: estou e quero algo assim hoje, este é o limite agora, mas tudo é provisório porque eu posso tudo e respeito o Universo que me permeia, e quero estar aberto a todas as outras possibilidades.

Quem aprende a impor limites, também aprende a compreender o mundo, as delimitações, as deficiências alheias e as próprias. E quando seria uma situação de mágoa, sabe que por mais que lhe pareça desagradável a atitude do outro, isto deve ser o melhor que ele tenha a oferecer naquele momento, é o seu limite, o que não o reduz a ele.

Ontem comecei uma pintura abstrata numa caixa de papelão....a idéia era deixar a mão fluir em liberdade para criar. Fiz os contornos em preto com toda a fluidez da minha imaginação. Em determinado momento, senti vontade de preencher com cores os espaços demarcados. E foi aí que descobri: eu não queria que o meu verde invadisse o roxo, mudaria absolutamente a cor.Eu queria exatamente aquilo: as duas cores próximas, em harmonia, mas com o traço preto delimitando seus espaços, para que todos pudessem se sobressair na sua peculiaridade e para que, no coletivo, brilhassem juntos. E para isso, eu precisei criar barreiras para impossibilitar as cores de se misturarem.

Pintando a minha caixa de papelão foi quando descobri que estabelecer os meus limites fazia parte daquele meu momento da mais total liberdade de expressão.

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Marla de Queiroz.


P.S.: Amores! OBRIGADA SEMPRE!!!!!!!!!!!!!Vocês são o combustível deste blog!

Marley, me aguarde, ainda vou te agradecer direito.

quarta-feira, maio 20, 2009

Síndrome do coração partido

Foto: Bruno Abreu



Era tão estranho...porque mesmo sabendo que ia dar tudo certo, porque já deu certo, porque estava dando tudo certo, morria de medo que parasse de dar certo. E mesmo quando estava feliz, muito feliz, sentia uma certa tristeza porque só pensava quão ruim seria perder aquela felicidade. Pois estando sossegada e vazia como antes, pelo menos não tinha nada a perder...E vivia suas pequenas tragédias imaginárias como se fossem reais e ia esfriando, esfriando, se preparando prum tombo que nem sequer havia sido anunciado. E nem conseguia perceber que se eles já não mais passavam mal de tanta paixão é porque a coisa havia mudado: ganhara um equilíbrio qualquer que lhes permitia comer e fazer outras coisas triviais sem que se consumissem pensando no outro com toda aquela febre.Era pra celebrar perder aquele desespero pois continuavam trepando com a mesma fome, se fazendo companhia com a mesma diversão, falando das coisas mais importantes e evitando mergulhos fora de hora que poderiam terminar em feridas ou naquele esmiuçar insistente dos que se sentem num constante afogamento e precisam se agarrar ao pescoço de alguém pra não afundar sozinho E era tão estranho esse medo todo que quando corria na praia e o seu coração apertava, pensava logo que era um mau-presságio, uma angústia funda, um aviso ruim, quando na verdade só era preciso diminuir um pouco o ritmo e se lembrar de respirar adequadamente dentro daquela atividade física. E no fundo sabia que sempre daria certo, pro sim ou pro não, sempre seria como deveria no tempo que é próprio, na transformação que é necessária. E que o seu medo não mudaria o destino das coisas_ só a fazia querer de maneira estabanada e em estado de pânico, induzindo ao auto-boicote: evitava um abraço quando mais precisava dele, dava um beijo seco quando queria deixar que ele invadisse todo o seu corpo, deixava de escrever as coisas mais bonitas pra não alimentar um possível desinteresse do outro.E ficava jogando sozinha o jogo imbecil dos que temem porque ignoram a tranqüilidade. E ficava triste, desconsoladamente triste quando poderia estar sendo o momento mais pleno da sua vida: ela estava apaixonada pela sua confusão. Era só prestar atenção no outro, na atmosfera, nos gestos.Mas só tinha olhos pro seu medo.Era só ter mais confiança na vida e lembrar das tantas outras vezes que sobreviveu. E que munir-se não a imunizava. E ela só não entendia que isso ainda acontecia porque sempre investia na coisa errada: investia todas as fichas no outro esperando retorno até não sobrar nada pro trabalho mais minucioso: investir no sossego do próprio coração.
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Marla de Queiroz

quinta-feira, maio 14, 2009

Requintes de delicadeza

Foto: Maria Ivone



É com requintes de delicadeza que me conquistam. Mesmo que eu tenha crises de mau-humor ou de independências, espera com tranqüilidade minha entrega, deixa eu querer ficar até que eu pense por dentro: “ isto é a felicidade!”.Mas não desarrume minha rotina tão bruscamente, nem exija de mim o contrário do que havia quando me conheceu.Assim, eu serei outra pessoa, e nada mais restará do encanto.É com requintes de delicadeza que te guardarei no corpo.E não vou querer nada além do que nos parecer justo: tua mão na minha , meu olhar no teu, e um Universo inteiro por explorar...tão nosso.
Ao contrário, eu me despeço. Com todo o requinte de delicadeza que certas crueldades têm.
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Marla de Queiroz

terça-feira, maio 12, 2009

PRESENTE!!!!!!!!!!

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Aperte o play!




Marla da Orla
(Miguel dos Anjos /
Mário Roberto Ferreira)

Marla da orla
La bele feme
Morena Marla
Poema do Leme

Em teus sonhos
Eu quero entrar
Teu sorriso
Eu quero provar
Muito além da palavra
Eu quero chegar

Tua meiguice
É de uma morenice
Fácil de se apaixonar
Vem me mostrar que rimamos
Mesmo ainda sem planos

(Deixa de lado esse pudor e vem)

Marla da orla
La bele feme
Morena Marla
Poema do Leme

P.S.:
Amores,
Ganhei esta música de presente.
Compartilho com vocês.
Amanhã descubro o programinha que não deixa a música tocar
automaticamente, só quando apertar o play....rsrsrsrsrs

P.S.2: Foto Lua Leça

quarta-feira, maio 06, 2009

Das coisas que eu sei

Foto: Marcos Tavares Carlos


O peito era maior que o céu aberto.
Parávamos. E sabeis
Que o que contenta mais o peito inquieto
É olhar ao redor como quem vê
E silenciar também como quem ama.


(Hilda Hilst)

Não quero mais ser apenas a mulher fatal, aquela que desatina juízos, desarruma os lençóis e transforma a tua vida num redemoinho doce. Quero ser também a tranqüilidade das tardes sonolentas depois do almoço, a fluidez das horas ociosas. Quero ser canto, colo, aconchego, rotina e abrigo de paredes concretas. E uma ponte para o exterior quando a madrugada inquieta...Quero permanecer mais do que estar, sem me preocupar pra que direção o vento levará teus desassossegos.

Mas, deste caminho que te apresento, faço do convite esta certeza de mãos dadas só no início... Pois há algo que mesmo quem teme , ignora: é possível que a estrada seja engolida: pelas águas, pelo cansaço, pelo desperdício das horas, pelos indícios.

Não acredito mais na idéia de amor romântico, por isso, perdoa se te transformei no homem da minha vida, eu deveria ter deixado que você se tornasse por mérito próprio.

E se percebo que não há garantias é porque nunca as tive: nem nas ausências, nem durante a mais intensa companhia. E destes gritos que abrangem um mar inteiro numa breve manhã ou numa tarde sem carícias, me desvencilho. Quero saber que você existe, que já esteve em mim e comigo, mas que é tão livre para ser quanto eu sou. E que esteja e seja matéria ou substância etérea sem me machucar com tua existência sólida. Não quero que nada sobre você me pese nos dias e nem que a saudade me faça acordar com o olhar mais triste que já tive. Quero saber-te pleno e estar feliz por isto, seja lá qual for o motivo. Quero saber-me plena e casada com o amor, mesmo que você já não seja mais o foco.Há muito alvoroço de mar em mim, deixa que eu viva e escreva por esta Natureza.(Nasci explícita para que ningúem me guarde num segredo.)Sou permanência e transitoriedade. Sou reminiscência e novidade.E sei e sinto e vejo mais do que gostaria.

E, se isto me orienta, também me angustia.

Você sabe, às vezes me falta destreza.

E para que não seja sempre assim tão ácido,

Não sejamos nós,

Antes, sejamos laços:

Desses que se atam e desatam com delicadeza.

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Marla de Queiroz