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quinta-feira, dezembro 25, 2008

Quando o passado espreita




Desculpa eu não te querer mais logo agora que a vida está sendo doce comigo. Têm coisas suas que não cabem na minha alegria como, por exemplo, tuas feridas tão antigas e as curas que eu fazia pra te consertar pro mundo, mas continuar com minhas mãos vazias.Desculpa eu desobedecer a demanda da tua angústia. Eu não quero mais ouvir, naquela passividade profunda de amante, tuas lamúrias, tuas escolhas equivocadas, teu emocional sempre tão confuso.

Eu só quero celebrar as minhas flores de dentro da forma mais adequada.
Eu não tenho mais tempo para ser aquela pessoa certa na tua hora errada.
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Marla de Queiroz

P.S.1: Dia 28/12 comemoro meu aniversário, eu completo 1.584 luas.E já recebi todos os melhores presentes que alguém da minha idade poderia ter: uma família incrível, meus amigos tão especiais, minha rotina particularmente poética, o lançamento do meu primeiro livro, o meu blog que me dá tantos novos amigos íntimos virtuais e tanto carinho. Eu só quero continuar sendo merecedora dessas coisas todas, por isso invisto no meu melhoramento como pessoa.

P.S.2: o meu livro “ Flores de Dentro” está sendo vendido pelo site: www.editoramultifoco.com.br

P.S. 3: Alguns anônimos passam por aqui e fazem comentários que eu adoraria responder. Por favor, deixem algum e-mail.

P.S.4: Na foto, minha colagem.

P.S.5: Obrigada por tudo,sempre.
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Marla de Queiroz

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Agradecimentos


Minha foto tirada pela Lua Leça

Fiquei pensando no que eu poderia escrever aqui, no dia seguinte ao lançamento do livro.Mas estou ainda muito anestesiada, extasiada, embriagada de amor.Acho que nunca me senti tão amada, tão vasta, tão em casa, tão feliz. Primeiro, tive a melhor sensação do mundo ao ver meus filhos empilhados numa mesa.Tão recém-nascidos. Tive ímpetos de guardá-los novamente no meu ventre. Queria todos para mim. Depois eu os vi saindo, um a um. Foram para tantas casas diferentes, na companhia de pessoas tão especiais...Não sei explicar, mas se dei 90 autógrafos, todos foram pessoais e seguidos de um abraço forte, demorado...Não existia mais o tempo.Eu me permiti me demorar naquela maior alegria da minha vida.E tantas pessoas trabalharam espontânea e gratuitamente praquela festa acontecer. Eu não sei quando foi a última vez que me senti tão bonita.E o que posso dizer ainda, é o que disse ontem pros que estavam presentes: a repercussão que a minha poesia teve, tem, não me dá vaidade. Ela só me diz da minha responsabilidade e respeito que preciso ter com as palavras. Se a minha poesia sou eu, é preciso que eu me melhore pra que ela continue sendo honesta.
Eu estou muito, muito emocionada. E nunca vou esquecer esse meu primeiro melhor momento da minha vida.
“ Obrigada” é palavra que não comporta toda minha gratidão.
Vou descansar um pouco, mas volto logo.

P.S.: Em um ano e meio, esse blog ultrapassou os 100.000 acessos. E eu só preciso de ajuda pra sentir. Eu os agradeço eternamente.
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P.S.2: O livro já está à venda pelo site:

www.editoramultifoco.com.br
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Marla de Queiroz

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Lançamento do meu livro!!!!!!!!


Amores,
É com muita alegria e frios e frios na barriga que eu os convido para o lançamento do meu livro!
Meu primeiro filho vai nascer!!!!!!!!!!!!!!!!hahahahaha!!!!!!!!!!!!Nem acredito!
E não pensem vocês que será numa livraria com gente cult e nenhuma farra,
será num casarão na Lapa com as pessoas mais interessantes e animadas do Rio de Janeiro! Celebração total com muita música brasileira pra dançar, DJ Rafael Braga, e algumas atrações especialíssimas, não faltará amigo músico para dar canja até às 02h da manhã...
O evento começará às 19h, pensei em dar autógrafos (!) até às 21h e cair na pista com vocês.
Por favor, cheguem cedo pra eu não me apavorar e achar que não vai ninguém!Ou pelo menos torçam por mim, divulguem!
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P.S: Há semanas não durmo direito. Esperei muito por esse dia, estou em polvorosa!Haja chá de camomila!
Ah, e pros que não puderem comparecer ao lançamento e tiverem interesse em adquirir o livro, a Editora Multifoco também venderá pela internet através do site: http://www.editoramultifoco.com.br/
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OBRIGADA A TODOS VOCÊS POR TEREM CAMINHADO COMIGO ATÈ AQUI!
SIGAMOS JUNTOS!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Bachelariando sobre o barro...

Foto: Cristina Afonso

O texto abaixo eu escrevi para minha amiga Tayira, arteterapeuta que está escrevendo sua tese sobre o barro.Ele é resultado das nossas conversas de uma semana inteira sobre o amor, arrumações de guarda-roupa, barro, contradições,crises existenciais, Bachelard...Compartilho com vocês.
P.S.: Desculpem a demora de atualização do blog. Estou escrevendo minha monografia e resolvendo as últimas questões do lançamento do meu livro. Em breve, a divulgação oficial aqui, mas posso adiantar que será dia 16/12/08.

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Porque deveria ser proibido esses domingos ensopados pela chuva e, por dentro, tanto frio sem esperança de alguma nódoa de sol. Deveria ser proibido mãos que não alcançam um pedaço de argila e um punhado de água pra amolecer a dureza que têm as ausências, as carências, o concreto de alguns corações.
Deveria ser proibido no meio da dor, só a lembrança das ondas que explodiram pra promover um beijo: era a maior doação da natureza pra afagar olhares que procuram e procuram_ e que olham para os lados sem ver o que ao lado está. (Que nem Clarice explicou em “ Por não estarem distraídos”).
Minhas mãos em concha seguram tantos gritos, líquidos.Mas tenho medo de acordar os que se estabeleceram uma rotina sem qualquer possibilidade de desconfortos fora dos calculados.

(É quando a magia ganha a obrigação de ser um amparo alheio).
Eu andei pensando sobre o barro, sobre o amor, sobre vestidos que viram saias e saias que viram blusas. Eu andei pensando que, às vezes, a gente gostaria de enfiar a pessoa que a gente ama dentro daquela gaveta arrumada pra só saber dela quando abrisse o guarda-roupa no auge da vontade de se enfeitar de sentimento.
Andei pensando nesse coração de argila que se molda de artérias entupidas pelo amor.
(ainda é preciso esperar que seque rápido e torcer para que não tenha sido feito frágil demais.)

Eu andei pensando nesse movimento de mãos que se vestem de areia, que fazem círculos enquanto contam sobre o eterno retorno do mesmo. Sobre a lucidez da loucura.
Você espera que a terra te dê chão? A terra, sem a água, sem o ar, sem o fogo, só pode te dar a impossibilidade de vôos, às vezes.
Talvez estejamos tentando fazer barro com areia e água salgada. Mas o barro quer da gente é doçura.
Andei pensando nessas esculturas de sal.Isso não pode ser a nossa obra-prima.
O amor não pode ser engessado. Ele não pode ser estático.Amor não pode ser chão de ninguém.Amor nasceu para dar asas.

Quando você me contou que havia um abismo no seu peito, um buraco no seu coração, eu tentei visualizar abismos e buracos...E vi muito coração dentro deles.
(Um outro ângulo.)

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Marla de Queiroz