Páginas

quarta-feira, novembro 12, 2008

Extensidades

Foto: Ornella Erminio
(...)e quando virei o rosto vi meu sorriso nos lábios dele...
(" Grande Sertão: Veredas"_ Guimarães Rosa)

O jeito que ele me olha é que me inspira e desgoverna. Um jeito que me conhece no derramado de dedos que convidam. De quando eu peço abraço quando ele quer me dar, mas faço tudo quase num contorcimento de dor, e ele acha bom eu ser intensa. E a voz sem sossego, o corpo pronto e quente sempre. E, se ele demorou tanto, nós sabemos: amor também precisa amadurecer ou maturar na arnica, feito remédio. Nunca tive muita impaciência na espera, ele sabe. Pude pular de galho em galho e ir embora quando meu coração não queria ficar, enquanto. E, das vezes que quis ficar e não tive espaço, entendi. Funciona quase como o mesmo modo de quem faz ninho para um só passarinho, aquele todo especial. Mas eu exerci meu par de asas. E fui feliz com as paisagens que sobrevoei. Aí, quando eu menos esperava, ele chegou encompridando alegrias tão amenas, tão bestinhas. Fui compreendendo aquela falta de desespero. Eu achando graça na saudade. Eu perdendo o peso da lembrança só pra rir de tudo. Eu ficando leve. Eu sentindo sono logo na infância da noite. Porque meu coração estava, enfim, descansado. Eu achando bom meu coração pousar assim: decidido e destrambelhado.

*

*

Marla de Queiroz

17 comentários:

Anônimo disse...

Seu blog é o melhor dos melhores!

Estou esperando o Livro!!!

fred disse...

Muito bom, mesmo.
Beijos

Vida Bailarina disse...

Olá!
Leio seu blog há mais de um ano e nunca deixei comentário, mas sou fã de seus textos! Hoje resolvi deixar comentário porque citei o doidademarluquices no meu blog, ai achei chato não informá-la! rs
Parabéns por ter esse dom maravilhoso!
Beijão
Iêda

Lubi disse...

ah, Marla, lágrimas porque há beleza e paz e leveza.
tão seu esse texto.
tão lindo.
querida.

um beijo enorme.

Fabio Fernandes disse...

Passarinho que voa perto do ninho, às vezes, pousa mais de uma vez no mesmo galho. Uma hora ou outra o galho pode quebrar, e passar a fazer parte do ninho construído.

Bjoks,

Denyssima disse...

tão lindo...
descansa coração...'q seja eterno enquanto dure'...

Carol Montone disse...

que lindo Marlinha
saudds
meu coração ainda anda sobressaltado..~mas deu uma vontade de dormir na infância da noite...vc é muito poética..
beijoss
Carol Montone

Filipe Garcia disse...

Ô Marla... que coisa mais bonita isso aí. E a frase de Grande Sertão? Não tem igual pro romance de Riobaldo e Diadorim. E você poetou um romance igualmente bonito em seus versos.

Isso de amor que demora parece um castigo! Geralmente, o que a gente quer é amadurecer junto com o amor.

Seu canto tá cada vez mais bonito.
E eu leio por prazer.

Beijo.

Anne! disse...

As veiz ...
Ou sempre. Passarim ressabiado e com medo de não ter ninho. Ou pra se sentir mesnos sozinho, constrói ninho em árvore distante.
Em galho pouco seguro.
Decidi saltar do muro, e me contentar com pouco.
Pouco olhar, pouco carinho, pouco jantar romanceado.
Casei me com um químico. Ele pensa em mol (RS)
E todo dia antes de dormir, peço a Deus uma passionalidade ou minhas asas de volta para que possa voltar pro mar ... Amar.

Paixão, M. disse...

ai meu deus... me dá essa decisão, esse destrambelhamento... lindo, marla, lindo! não há por onde começar a elogiar suas delicadezas... só sentindo mesmo. acho que você devia ver a cara de todos que lêem essas coisas...

beijos!

Cecilia Barroso disse...

Lindo, lindo, lindo!

Chegar assim desavisado em um blog não conhecido e dar de cara com algo tão sensível é maravilhoso!

Anne disse...

É simplesmente perfeito tudo o que escreve.
Tem sentimento, tem alma, tem graça, tem charme..
Tem tudooo..
Amooo muito tudo isso.
Beijooos bela poetisa.

Clóvis disse...

É impressionante e linda a sua fragilidade envolta de tanta intensidade e força. Um baque de ondas, um vento, um tropeço, logo uma elevação.


Você é tão bonita.
Beijos,
C!

Seu Fabiuloso disse...

Eu amando Marlarida cada dia mais!

Paulo Viggu disse...

Sonada na infância da noite... também pudera! ela, dona de si, exerce o seu par de asas. E voa! Beijo, hein! Riodaqui na saudade.

Fabrício Brandão disse...

A idéia da falta de desespero torna esse sentimento tão mais nobre e intenso para ser vivido.

Beijos, Marla, e adorei conhecer teu sensível espaço!

Ana disse...

Sempre passo por aquii
Gostei disso, de você colocar uma frase de um livro antes dos teus textos!
Faça mais vezes querida rs rs ^^

Um beijo