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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

P.S.:

Foto: Nuno André Monteiro

E, no meio de tantas mudanças, muitas rupturas. Algumas coisas foram encaminhadas pro novo destino, outras se perderam irremediavelmente. O que sobrou posso contar nos dedos, antes eu mal conseguia fechar as gavetas_ tão abarrotadas de coisas, pessoas, lembranças. Mas o que houve afinal, além de um processo íntimo, pessoal, intransferível? Uma mudança externa também, porque há sempre um desconforto em quem se acostuma com o nosso comportamento mais antigo. E além de lidar com o luto da morte do que éramos, ainda o estranhamento dos que não aceitam o que nos tornamos. Porque mudam os gostos, a disposição e os planos. E alguns reagem como se você os tivesse abandonado no meio de uma viagem a dois por outro continente, quando só você sabia falar a língua local mesmo que os impedisse de aprender o idioma .

E, no meio de tantas mudanças, algumas desavenças. Só porque aqueles mesmos não entendem, não entendem, não entendem, porque não querem aceitar, que tudo é tão dinâmico e que nem deve ter sido tão brusca essa mudança, mas que a coisa maturou durante um tempo em que só queriam que você se envolvesse numa história DELES, que se misturasse nas emoções DELES, que traduzisse o mais íntimo DELES. E, ao mesmo tempo, você estava amadurecendo uma mudança sua e a coisa toda doía, doía. Mas eles não perceberam. Porque a demanda sobre a vaidade deles era grande demais, importante demais, imprescindível demais pra sua poesia.

E, de repente, a minha poesia não queria falar mais sobre nada disso. Minha poesia queria ser uma carta anônima, um silêncio, uma brincadeira. Minha poesia não queria ser nada além de uma frase jogada do mais íntimo de uma iluminação sobre um determinado assunto.

Porque, no final das contas, o que escrevo nem é poesia... é prosa, é carta, é desabafo, é qualquer coisa. É um bilhete manuscrito pregado no espelho só pra desejar “Bom Dia!”

*

*

Marla de Queiroz

17 comentários:

Luciana Lessa disse...

Querida Marla, só queria te dizer algo que já me disseram uma certa vez mediante esses "escritos" (como diz minha filha):
"amadurecer, além de evoluirmos intimamente, consiste também em estarmos prontas para entendermos/ aceitarmos que certas pessoas não evoluem junto conosco, não caminham com o mesmo passo ao mesmo tempo, ou melhor dizendo, numa linguagem xamânica, não amadurecem no mesmo ritmo, ao mesmo toque, com o mesmo olhar que você, só estão um passo atrás."

Beijo da Lu,
que admira sua essência.

Denyssima disse...

Estou neste momento, mudanças...

mulher, tu é fodaaaaaaaaaaaaaaaaaa......adorooo!!!!

Paula Calixto disse...

E porque um "bom dia" a alguns não interessa. Porque alguns só se fixam na outra parte do dia e se incomodam quando não queremos abrir mão do restante das NOSSAS PRÓPRIAS vinte e quatro horas.

Que assim seja...

Carpe Diem!!!

Beijos, flor.

Rayanne disse...

Eu tinha vindo aqui justamente falar que tenho ouvido tanto silêncio de ti. Fica só ao longe uma barulhinho de Mar....lá longe.

Eu sento aqui num cantinho de azul e fico observando, imaginando...no que ela vai flor-e-ser agora?

Com a curiosidade equilibrada gentilmente na pontas dos pelinhos eu escuto, pacificamente, o Silêncio de Mar....la.

Sopro um bilhetinho no vento...o endereço das almas afinal é sempre o mesmo. E amo, sempre e tanto.

***Estrelas acompanhem***

Livia Saboya disse...

Muito estranho como você sempre escreve o que eu gostaria de ter escrito! rs...
Não sou muito boa com poesias e prosas românticas mas sinto exatamente o que você escreve... Engaçado isso..
Talvez o horóscopo explique.
Ou não, né?!
rs...

Mas mesmo assim, parabéns. Adoro suas palavras e sempre passo por aqui para conferir os novos textos.
Fico até pensando porque encontrei esse blog tão de repente e sem motivo algum... Não costumo ver blogs e nem me interesso pela maioria deles...
Engraçado isso.. E estranho... Mas bom!

Parabéns novamente.
Abraços,
Lívia

~*Rebeca*~ disse...

Amo tudo que escreve, Marlarida linda.

Beijos.

-

paulo viggu disse...

É ... Marla de Queiroz se TRANSFLORMA, muta, encara mudanças e joga tudo em sua prosapoéticateia de pensamentos. Venho dos nadifúndios do riodaqui. E o seu bom dia soa muito verdadeiro. Beijo n'água até aí. Rio daqui

J.F. de Souza disse...

Bom... Vou deixar meu chavão predileto:

Seja lá o que for
--que seja!--
Seja feliz!

Alê disse...

E, no meio de tantas mudanças, sempre boas palavras escritas.
Beijos*

Narjara Oliver disse...

Oi, Marla!
quem me passou o endereço do teu blog foi o Lelê, fãn incondicional. rsrsrs...
Adorei... e Sempre dou uma passadinha pra ver o que há de novo.
Eu lí alguma coisa a respeito de um concurso de blogs. Eu não sabia.
Que legal ter sido indicado.
Parabens.
Eu está novinho, cheirando a leite.
Dá uma passada lá e vê o que acha...
Um abraço.

Lua

Pedro Vianna disse...

mudança:alcançar outro mundo nessa dança muda.

palavraprecipicio.blogspot.com

A czarina das quinquilharias disse...

lindo e tá certo tem que escrever pra você e se as pessoas se encontrarem, bom, então que ótimo.

Gustavo disse...

amiga, to com saudades, preciso dos nossos papos? e a peca? quero ir a um ensaio, leitura, qualquer coisa!
te adoro e bj
Gu

Anônimo disse...

Perfeito!

Pat Maria disse...

estou passando por momentos de decisões difíceis: emocionais, físicas, financeiras, acaadêmicas e sentimentais e pode apostar: vc me acalentou.
Continue escrevendo, tornei-me sua fã!

Ana C. disse...

Sem expressões ou palavras de poesia, apenas gostaria de dizer Obrigada, afinal, é bom descobrir que a gente não foi tão culpado assim... e que, não é só com a gente que acontece esse tipo de mudança!

Obvio que não é, mas parece tanto que chega a enganar!

E compartilhando as palavras acima "Continue escrevendo, tornei-me sua fã!"

joice.calza disse...

Marla, v. colocou de uma forma tão profunda o qto o outro tem dificuldades de acompanhar as nossas mudanças.....Bjs