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sábado, janeiro 05, 2008

Palavras soltas


Foto: Ana Red


Mas para que se perceba o verão há que se abrir as janelas do corpo_quando pela manhã o suor ainda é virgem e o cansaço não embruteceu as retinas do sonho. Mesmo que o dia irrompa agressivo e o sol inclemente de luz tanta, no silêncio, pode-se deixar guiar até ao barulho das fontes, até ao sussurro das ondas. A alegria quer a gente muito alerta pro que possa desaguar turvo bem no meio da esperança cristalina. (É por contágio que as coisas boas nascem e as não tão boas também. E é de inanição que as coisas vivas morrem, principalmente). Tem música que nasce do beijo, do abraço, nasce naquela hora em que todo o corpo estava ocupado em afago. Tem música que nasce do nada_ na hora dos dedos inertes que resolveram dedilhar um sol. Há poesia que nasce da dor e poeta que se acostuma com ela.Tem gente que passa a vida esperando um milagre... enquanto alguém os escreve.

*



Marla de Queiroz

13 comentários:

Rayanne disse...

Que delícia inaugurar os comentários do primeiro poema do ano.
Um que vem entoando uma música tão despudoradamente linda.
"Tem gente que passa a vida esperando um milagre... enquanto alguém os escreve"

Sorte nossa ter você prá fotografar esses milagres para sempre em versos, eternizá-los dentro da gente com a sensação doce de arrepio que teus escritos fazem, Marlinda.

Sorte minha poder conhecer pessoas como você, alertas para toda a nuance do amor, desperta para as fragilidades da vida. Sorte, mundo, ainda podemos tatear teus sorrisos e nos divertir das tuas belezas, desviando os estilhaços da necessária dor.

Porque o que seria do azul sem o amarelo.

AMo você, lindíssima.

**Estrelas transbordam**

Clóvis disse...

Pois é, Dona Marla.
Eu poderia transpor aqui um texto longo e explicar questão por questão destas suas palavras ensolaradas, mas você sabe exatamente o que sinto e o que quero dizer preferindo não dizer coisa alguma.


Amo-te mulher.
Meu beijo.

paulo viggu disse...

Marla de Queiroz dedilha o sol. Por isso, arde. Riodaqui 2008. Beijo aí.

poeta matemático disse...

É...

Fabuloso

Cacau disse...

Lindo...

Tá tudo cada vez mais lindo por aqui...

Você tem um quê de sua mãe!!!

Lindas!!!

Bjs,
Cacau.

Paula Calixto disse...

Primeiro: linda a foto com o alimento do Amor!!!

Segundo: eu quero viver os milagres de quem os escreve. [risos]


Beijos, flor.

Luca disse...

A primeira vez que passo pelo teu espaço e já me sinto contagiada pela tua sensibilidade e maestria em transpô-la em palavras leves e livres. Soltas.

Denyssima disse...

Fantastico...

mas um tapa de luva pra mim...estou meio prostada, mas apesar de adorar ler os poemas que vc escreve, vou ir ali viver...
bj bj e feliz ano!

Remo Saraiva disse...

Uma crônica do verão, do eu, do poeta e da poesia!! Maravilha!!
Parabéns, poeta!!

Bjs e feliz 2008!!
REMO.

Lubi disse...

Ah, Marla, eu já desisti de entender essa ciranda de nós duas. Já desisti.
Mas a considero fantástica demais. Uma ligação nas pequenas coisas. Agora, como...

rs.

Um beijo enorme.

Lu Lessa disse...

sabe o que mais gostei? Disso:
"Mas para que se perceba o verão há que se abrir as janelas do corpo"

só basta abrir as janelas não é?
o milagre todo tá aí...

Beijos

marcia acardeal disse...

Há algum tempo li um texto seu, não sei onde...e ficou o nome na memória e a curiosidade de saber mais. Eis que agora te encontro linkada no Caraminholas, do Marcos Pardim...e juro que quase não acreditei! Que bom te encontrar! Bom demais tudo aqui! beijo

Pedro Arunca disse...

Por vezes duma palavra solta se faz uma viagem e se aporta num destino improvável.
Agradeço tua visita e digo-te:
adorei o que mostras, o que escreves e o que revelas sentir.
Sem a tua permissão, vou amarrar o teu blogue ao meus cais.
Beijos !!!