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sábado, janeiro 27, 2007

Resolução.

Desconheço o autor da foto

Se eu inventei essa história,
você desenvolveu todo o roteiro
então me tire o sono,
não o sossego
e me dê alguma certeza,
não essa esperança já tão desanimada...
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Marla de Queiroz
(Fevereiro/2006)

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Previsão do Tempo

Foto: Hugo Tinoco

A previsão é que com a chegada de uma nova frente fria

o céu fique nublado e haja trovoadas esparsas...

Contudo, o tempo inda é o melhor remédio.

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Marla de Queiroz


domingo, janeiro 21, 2007

Chuva guardada...


Foto: Rafaela
Cada um fez o que pôde diante do que sentia, por isso desaprendi aquele apego que eu tinha a nossa história, à importância da tua companhia, (escolhi esse vento na cara e a canção alegre cantada aos berros levando a mão ao peito pra me amparar do que quase dói no refrão), tuas coisas eu não sei se deixo naquele endereço ou te devolvo pessoalmente e peço inda o reembolso, um último abraço...(pra que a gente se espalhe, se expanda,até que a distância seja suportável, até que nem isso, que nem se pense em nada mais)...só tenho achado que você anda calado e tristonho, só tenho achado que às vezes fico calada e tristonha, (não é saudade é uma mania que eu tenho de recordar o que foi bom), hesito em devolver as tuas coisas pra não ter que me despedir do teu olhar novamente, (logo agora que eu quase já nem lembro mais do dia em que segurei nas pontas da saia longa e corri pro mar, na chuva, com a liberdade de quem dança nua e, depois, aquele nosso último beijo,só mais um, combinamos, só mais uma vez),e depois eu voltando pra casa impregnada de sal, areia e despedidas...
Um último abraço, quem sabe, e eu devolvo o que ficou de ti, aqui.
(E você me reembolse essa distância com uma última poesia... ou com algo mais forte que esgote definitivamente esse adeus).
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Marla de Queiroz

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Aniversário do Doida de Marluquices


Foto:Rafaela

Hoje o meu blog completa 1 ano de idade e vou postar aqui o primeiro texto publicado nele.Fiz algumas alterações porque, à medida que fui amadurecendo a escrita, tudo o que escrevi anteriormente me pareceu tão tolo, quase detestável.
Eu tenho um carinho absurdo por este espaço, ele me proporcionou muitas das coisas mais preciosas que tenho hoje: amigos virtuais, amigos reais, inícios e redirecionamentos do fluxo dos sentimentos de relacionamentos afetivos, desabafos, homenagens, enfim,a matéria-prima dos meus textos.
Sem contar toda a troca que tenho com os leitores que vêm aqui e comentam, gostam ou não, e deixam um rastro, um bilhete, uma crítica, um elogio,um beijo. Tudo isso é incentivo pra continuar.Ainda o alívio de poder expor o que pulsa, dói, alaga, sangra, resseca, chove, floresce,brota morto ou semeia...Da delícia de brincar e poder experimentar as diversas possibilidades de (des)construção da palavra.
Então hoje eu reinauguro meu Ano-Novo (que não foi tão bom porque chovia fora e dentro).
Hoje eu vou abrir o dia com um SOL-riso...
Obrigada a vocês que fazem de mim uma pessoa cada vez melhor.

Segue abaixo o meu primeiro texto:

PORQUE EU NÃO GOSTO (MAIS) DE VOCÊ.

Porque você me fez dormir no melhor abraço noturno que alguém me deu e depois deixou meus braços órfãos.Tentou me convencer que estava tudo bem entre nós quando meu coração estava intranqüilo e parou de me ouvir em algum momento em que continuei falando, perdendo a parte mais importante da história.(E eu fiquei sozinha quando você ainda estava ao meu lado)...

Tirou o livro do meu colo pra deitar sua cabeça e absorveu do meu cafuné o melhor calor que havia em mim, mas não me devolveu a paz que eu encontrava na literatura.Visitou a minha casa, preencheu o lado esquerdo da minha cama e foi embora em algum momento sem se despedir, enchendo de palavras tristes a estrofe do meu poema incompleto.

Eu não gosto mais de você porque me fez dançar o bolero de Ravel e cantar com uma voz impecável o melhor jazz que já se ouviu mentalmente, me fez acreditar que os holofotes estavam todos voltados para mim e que você bastava como platéia, mas não me visitou no camarim quando decretou que o show havia terminado...Porque me arrancou a inspiração que eu não tinha, bolinando as palavras pra te escrever coisas doces e depois as esqueceu num canto qualquer do porta-luvas do seu carro quando inda havia um coração palpitando ali...

Eu não gosto mais de você porque me seduziu completa e absolutamente se fazendo deslumbrante quando não estava disponível afetivamente...

E me roubou a solidão, mas não me fez companhia...

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Marla de Queiroz

quinta-feira, janeiro 18, 2007

A arte imita a vida!


Foto:Hugo Tinoco
E, de repente...
Enjoei do personagem,
não gostei do figurino,
cansei do cenário,
impliquei com a perfomance
e detestei o texto...
Então,
abandonei o palco
e o deixei ali:
ator-doado em cena.
Dei a mão pro outro moço
e fui viver,
finalmente (!),
um amor de cinema.
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(Marla de Queiroz)

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Desse encontro


Foto:Alexandre P.



Da nossa chuva já nem falo que é fato como fogo e ardências.Eu digo é do amor que sempre esteve e desabrochou com ela.Das flores que você me trouxe pros dias, numa primavera tão perene que já nem caibo nas estações do tempo, nas definições que pontuam os ventos.Eu sei que teu abraço é meu amparo.Já posso saltar no desconhecido com a inocência de uma criança que nunca foi machucada.Porque quando você ri, a confiança me preenche.Então a vida é sábia.E nós a reinauguramos diariamente.
Agora eu entendo que a poesia não é aquela sedução tosca nascida da insegurança de alguém que um dia soube construir uma única metáfora consistente e passou dias embolado na definição de um verso torto que nunca conseguiu desatar.Não é a tentativa de manter uma história irreal que já se sabe, não renderá.Poesia, é esse seu olhar derretido que me dá vontade de dizer: vem meu amor, vem dormir aqui, no meu melhor abraço.
E entender que nesse momento nada pode ser melhor que isso.
Porque eu mereço o melhor.E você também.
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Marla de Queiroz

domingo, janeiro 07, 2007

Um presente.



Foto: Helder Almeida

Para Paulo Vigu...porque ele me faz sol-rir com o coração.

Eu te contei, rio?
Eu namoro o vento.
Vezenquando ele me tira pra dançar.
Vezenquando ele me faz ciúme levantando as saias das meninas.
Vezenquando ele sopra pra longe uma tristeza minha.
Vezenquando ele me traz uma saudade.
Eu namoro o vento, rio.
Vezenquando eu fico soprando coisinhas no ouvido dos outros com ele.
Vezenquando a gente tira a tarde inteira só pra ventar...

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No rio daqui, enquanto a água namorava o barco, eu namorava o vento.
Um dia ganhei um presente do rio: aquele pedaço de céu cheio de passarinhos voando e um punhado de estrelas para quando anoitecesse.
(Nunca mais ninguém me deu nada tão grande).
Quando eu rompi o meu namoro com o vento, o rio não entendeu.
Tive que explicar: "namorar o vento é tão difícil porque não se pode dormir abraçado!"
O vento, desorientado, levou o barco pras águas do mar...
E ficamos tão solteiros e desconsolados que eu dormia ali, naquela margem do rio, só pra gente se abraçar.O resultado disso tudo é que, daqui a pouquinho, quase agorinha mesmo, a gente vai se casar!

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Marla de Queiroz

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Pra você.


Foto:Maria Flores


Esse caboclo quer arrancar da minha pele cada gota de suor guardado no inverno. Eu fico esperando bem do jeito que ele gosta: com os cabelos desgrenhados e florida até os dentes, depois de hidratar os contornos que ele sabe passear tão bem.
Espalho alfazema pela casa enquanto canto a canção que diz
“Vivo em teus bosques, bebo em teus rios...línguas de lua varrem tua nuca...eu juro beijar teu corpo sem descanso...”
Ele me ouve longe, diz que tenho voz rouca agridoce boa de ouvir BOM DIA!
(e de deixar o dia bom mesmo).
É que esse seu cheiro de mato combina com minha saia levantada e com meu desaguar intenso:barulhinho de cachoeira violenta logo ali,atrás daquela pedra.
Sei que tem tanto sol na morenice dele que eu deveria me besuntar inteira de filtro solar.
Mas estou tão ocupada, recortando corações de cartolina.

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Marla de Queiroz