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quarta-feira, agosto 30, 2006

Vermelho Trêmulo...



Foto: Capitão Pio.

Tanto faz se faz tanto frio.
Ou se, lá fora,
a chuva obsessiva percorre seus caminhos verticais
e desliza pelo telhado pra nos espreitar pelas vidraças.
Aqui dentro, onde danço acesa
_(me)chamas_
e palavras líquidas encharcam nossos corpos de saliva
nessa eterna brincadeira que inventamos
de apagar labaredas com a língua...
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(Marla de Queiroz)

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terça-feira, agosto 29, 2006

Desordem


Foto: Pedro Moreita

A desordem é completa. O tempo arrancou qualquer certeza e a inquietação é extrema.
Todos os sentimentos confortáveis do passado estão beirando o precipício e nada mais
sacia como antes. Tudo nos condena ao risco, ao desconhecido.
Tudo se rendeu ao caos, ao espontâneo...

Sim, finalmente, vamos começar a nos divertir.
(Marla de Queiroz)
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P.S.: Para Thaís Amormino (amorMEU), minha Borboleta de asas Patchwork, Diva do Borogodó, Personificação da Sofisticação e do Desapego...Coisa mais linda da minha vida, aquela que um dia vai me tirar da cafonice....hahahaha...Na virada do seu setênio, virginiana nata, nada menos que TUDO de mais meticulosamente fantástico pra ti...Certamente vamos trilhar juntas de mãos dadas nossas histórias, delícias, vitórias...O AMOR DO TODO! SEMPRE!!!

domingo, agosto 27, 2006

Da transmutação...ou adaptando Drummond.

Foto:isah

Eu não sabia, mas morava no seu mais profundo segredo
como alguém que rouba uma história que já tem dono.

Tinha cinco pedras na mão quando foi ao meu encontro...
Mas no meio do caminho, tinha uma flor.

(Marla de Queiroz)

sábado, agosto 26, 2006

sexta-feira, agosto 25, 2006

Da sedução...



Foto: isah

Bolinei, bolinei, tentei seduzir e nada...
Do texto que não vingou, ficou a descoberta:
a palavra orgástica não admite tutelas.

(Marla de Queiroz)




quinta-feira, agosto 24, 2006

Pequeno delito



Foto:isah

_Você roubou isso!!!
_Sim, roubei.
_Mas isto é um beijo! DEVOLVA JÁ!!!!!!!!!!!

(Marla de Queiroz)
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quarta-feira, agosto 23, 2006

Pra você.


Foto: isah

Eu também não queria que terminasse assim....Das sementes que plantamos nasceu esse girassol nublado...E quando as flores choram, as nuvens se assustam num grito de trovões...E eu sempre preferi o céu riscado por estrelas cadentes a relâmpagos...

(Então sejamos aquela ausência no outro que não dói. E um pedaço de lembrança boa...E mais um aprendizado, pra aumentar o pedaço.Porque minha memória só funciona pra enfeitar, nunca pra denegrir uma pessoa)

Marla de Queiroz
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P.S.: Faz de mim, em tua memória, aquilo que lhe flor mais conveniente...Mas lembre sempre, por favor,que a simplicidade me custou tudo o que eu tinha.
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terça-feira, agosto 22, 2006

Um girassol nublado...ou as marlaridas também adoecem.


Foto:Rubem Graça

Cuida de mim, meu amor...Que estou frágil e já não me seguro na alegria da saúde, estou completamente debilitada. Meu corpo inteiro dói e arde em febres pedindo os cuidados que você não achou espaço pra me dar ainda.
Cuida de mim, que eu te faço meu tutor, meu condutor nesta Dança do Universo que eu tanto divulgo porque o Outro me ensinou....Cuida de mim, venha me convencer que engolir um comprimido imensamente redondo é necessário de 8h em 8h, porque você me quer ver novamente com as bochechas coradas e com o olhar vivo depois da tua sopa de beterrabas...Cuida de mim porque estou disponível e mortal, sem a menor das minhas arrogâncias e defesas já que todo meu corpo se resume em espirros e calafrios.....e isso é tão definitivo agora. Porque essa minha febre é um desejo desabafando...
Cuida de mim e aproveita pra ser eterno nesse instante em que eu me dou assim, esse fiapo de gente, numa dependência que de outra forma você jamais conheceria...

(Marla de Queiroz)

segunda-feira, agosto 21, 2006

Sobre algumas músicas

Foto:isah

Porque algumas músicas apertam meu coração numa dorzinha boa, sabe? Aquela saudade de alguma coisa, alguém ou algum lugar que você não conhece?

E ainda este solo de gaita : instrumento dos mais solitários que conheço e que quando faz um solo, assola meu coração num mergulho longe, fundo, num desconhecido tão familiar.

Aquela solitudezinha que me faz cruzar os braços de olhos fechados pra abraçar a mim mesma. Sem tristeza.

O corpo todo reagindo , sob o efeito da harmonia.Um monte de coisas borbulhando por dentro.
E os olhos fechados visualizando as notas numa partitura dançante.

Tudo é movimento e entrega.

E eu caso tão perfeitamente com a música, que quase me transformo num instrumento.
Porque algumas músicas, tiram nossa alma pra dançar.

(P.S.: né, Cassinha?!)

(P.S.2: Escutando Stevie Wonder e Marvin Gaye e etc e tal que minha Borboleta Verde gravou pra mim)

Marla de Queiroz

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sábado, agosto 19, 2006

sexta-feira, agosto 18, 2006

Reflexõs sobre a amizade...ou o resto de um texto que estava muito longo.

(Foi preciso que eu estivesse aberta pro que pudesse doer ou fazer rir. E lembrasse da criatividade que oferece diversas mil outras possibilidades. Foi preciso que eu soubesse seduzir pra poder falar de coisas sérias sem nenhuma sensualidade. Foi preciso, mais do que qualquer coisa, que eu me achasse merecedora da alegria e do amor que estavam disponíveis. Porque ser feliz é um aprendizado).


Eu nunca fiz amigos tentando ser interessante. Todos os amigos mais íntimos que fiz foi porque me interessei verdadeiramente por eles. Me interessei pelo que doía, pelo que o fazia gargalhar, pela forma como banalizava histórias tristes, pelo jeito com que dramatizava fatos aparentemente banais...Todo mundo quando descobre certa receptividade no outro abre seu coração com tamanha generosidade, que fica difícil não fazer o mesmo. Porque a escolha é sempre nossa. A gente se abre, o outro percebe e se abre simultaneamente_ sempre nessa expectativa do encontro. E quando flui, tudo nos parece mágico.Mas depois vem o que fazemos com tanta informação, com aquela confissão, com aquele momento de entrega. É isso que vai solidificar o que quer que tenha começado. E quando isso não é um dom, é um exercício.

Sempre tenho a impressão de que meus amigos têm talento para sê-los. Que são pessoas que nasceram pra essa troca incrível, com esse jeito maravilhoso de encher de sagrado qualquer encontro. Sempre lembro que se fulano (que para mim vive em outro patamar espiritual, emocional, intelectual, etc) me es-colheu, é meu termômetro pra pensar: “vá em frente, você está vibrando na energia certa”!...Isso me faz acreditar mais em mim e a ter vontade de me melhorar diariamente porque sei que o quer que eu faça ou fale, nunca será o suficiente para parar de investir numa relação: o ser humano é dinâmico, está em constante processo de mutação e carecendo de novas trocas.

Com minhas amizades aprendo, inclusive, a me relacionar afetivamente com pessoas mais saudáveis quando reflito: “beltrano, (por quem estou fortemente atraída), seria alguém que eu indicaria para minha melhor amiga ou uma filha?”Quando a resposta é NÃO! O que me fez pensar que seria o melhor para mim???É o tipo de amor que não me deixa estagnar na consciência, mas me leva à ação.

Tudo que eu sou eu devo ao que fui, à minha criação, ao que me doeu longamente, às alegrias que tive, às pessoas que conviveram comigo,aos valores que me passaram e ao que transcendi. Tenho tanta consciência da importância do outro na minha vida que digo que sou viciada em gente: com seus problemas, suas virtudes, sua simplicidade, ou complexidade, com sua disposição pro amor ou a sua dificuldade de. Porque eu sempre vou encontrar casa numa característica, qualidade ou defeito do outro, nem que seja pra rejeitar naquele momento e me sentir superior ou inferior. Tudo é instrumento para que eu me trabalhe quando me deixo vir à tona através das projeções que faço.

Não sou uma pessoa fácil, embora quem me veja, ache que sim. Às vezes me alimento das belezas que as pessoas me dão ou me desprezo quando me rejeitam.Sou exagerada em tudo:oscilo demais, fico melancólica demais, alegre demais, agressiva demais, doce demais, carente ao extremo, independente além da conta. Mas sempre tento estar atenta a minha responsabilidade, a ter o cuidado de dizer ao outro que o processo é meu, o problema é meu ...que ele me trouxe à tona e que às vezes no primeiro impacto isso pode ser assustador. Porque a honestidade sempre salvou as minhas relações e me permitiu ser amada sendo quem eu estava, porque somos o que estamos.

Depois descobri que a gente se desilude com amigos sim, mas que ninguém tem tanta força pra me ferir. Só terá se eu der a ele esse poder. E que quando abraço uma pessoa inteira( porque eu, sinceramente, não consigo abraçar sem entrega), sei que estou trazendo pra minha vida uma pessoa com tudo o que ela tem dentro: seu passado e tudo o mais que a formou além da essência. E acredito tanto na minha intuição e na minha sensibilidade que confio que sempre haverá a troca_ de um jeito torto, truncado ou fluido_ eu só dependo da minha criatividade: com ela eu escolho se usarei meus vazios e minhas decepções pra me lamentar ou como espaços que eu tenho pra crescer ou, ainda, se saberei aceitar amor e confiar simplesmente.

É por isso que críticas podem até me baquear, mas não me desnorteiam e que elogios me nutrem, mas não me envaidecem (mais)...

Porque nunca fiz amigos tentando ser interessante...nem bebendo leite....hahahahahahaha (brincadeira das mais tolas num texto sério como este, mas eu não resisti! Porque é verdade!hahahaha)

Marla de Queiroz

quarta-feira, agosto 16, 2006

Violetras


Foto: JRenato

Ao som de violões e vozes
dançam violentas
_as letras_
de violáceo vinho
e violentos roxos
brotam
doces
VIOLETRAS
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(Marla de Queiroz)

terça-feira, agosto 15, 2006

Fase Nova...Ou a vida me revelando todas as suas possibilidades de cura.


Com Licença (poética), eu vou à luta!
Quero que a vida caiba inteirinha no meu sol-riso!
(Porque, segundo o André meu amigo blasè, eu não rio: eu gargalho rios!)
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Seguindo em frente...



Foto: Tatas del GOSTs

Então eu sigo em frente deixando pra trás Brasília quase severa e grave, destituída de sensualidade e lascívia, aconchegando timidamente com seu toque seco e breve.
Brasília quase nua mas cheia de pudor, povoada por espaços, seus caminhos habitados por folhas e ventos e aquela água tão doce...E intrigando com um mistério muito seu de ampliar o céu, exagerar o tamanho da Lua,abarrotar as cores do pôr-do-sol de tons quentes...Pra aprender a seduzir.

As pessoas, singulares, intimamente encontradas.

E, depois, ele...

(Marla de Queiroz)
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*P.S.: Dias incríveis, alegrias e encontros inenarráveis...Ainda digerindo, sentindo, organizando...Ainda rindo sozinha...
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segunda-feira, agosto 14, 2006

" Eu vejo flores em você"



Foto: João Estêvão A. Freitas

Copos-de-leite
Taças-de-vinho
Cravos-de-vidro
Cacos-de-lírios
Flor-do-cerrado
E um amor-perfeitinho...
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(Marla de Queiroz)

quinta-feira, agosto 10, 2006

Brasília.


Foto: Nelson Faria

Ei, Meu povo!

Estou recarregando minhas energias em Brasília feliz da vida, linda, loira, louca, japonesa e motoqueira!!!
Saudades demais dessas bandas, dos meus amigos mais íntimos, do meu garçon predileto.
Os dias estão lindos, a Lua Cheia,o clima ameno,a cidade sonolenta, serena...
O pôr-do-sol degradê...
MEUS IPÊS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Pode ser que eu suma daqui por esses dias. Pode ser que não. De qualquer forma, vcs já sabem o motivo.
Eu sei que muitos leitores do meu blog moram aqui. Eu gostaria sinceramente de conhecê-los pessoalmente, mas não tenho o contato de todos. Ficarei pouquíssimo tempo, mas se puderem deixar um telefone, um e-mail, enfim, qualquer contato, ligo ou escrevo e organizo alguma coisa (inclusive, hoje tem!Me escrevam que eu digo onde é).
Vcs topam???
Meu e-mail pra contato: marlegria@gmail.com

Beijos, beijos.

Marla de Queiroz, a Flor do Cerrado ( sendo regada por água que passarinho não bebe!)
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terça-feira, agosto 08, 2006

COM-JUNÇÕES... **poema inacabado**


Foto: Tatas del GOSTs

COM-JUNÇÕES


Ainda...
O mesmo senão do quando
Sempre um talvez no tanto
Sempre um por quê no quanto.

Quando...
Da poesia já se sorveu tanto
Há latência da carne enquanto.

Portanto...
Sempre que o começo é o mesmo fim
Quase nunca é tanto
Nenhum tempo é quando.

Contudo...
A febre arde em mim:
Eminência da saudade_ única presença_
Essa ausência acumulada
No entanto.

Embora...
Tudo indique a ferida finda
Há que se cuidar das madrugadas
Que a trazem na insônia
Ainda.

Mas...
Conectados ou conectivos
Sempre surgem conjunções
pra nos dizer que há mais...
(Aliás)

Marla de Queiroz

*(aguardando a parceria do Marcão...)


segunda-feira, agosto 07, 2006

Bestagens...



Foto: Tatas del GOSts

Ontem foi meu dia de ser besta. Dessas que olham as coisas com os olhos ensolarados de tanta ingenuidade.
E que comem o milho com pressa pra chupar a aguiinha salgada do sabugo, sorrindo com os dentes amarelos da pipoca não vingada.
Foi meu dia de ser besta e sair descombinada de estampados e listras, incrementada além do meu bom-gosto, ampliada na falta de sensos.
Foi meu dia de gargalhar frouxo das coisas que não entendia e de usar a palavra ininteligível pra exagerar o que tinha de engraçado.
Passei o dia inteiro sendo toda besta, observando o tempo com desleixo
Sem me preocupar se a chuva engordou ou se o sol está envelhecendo...


(Marla de Queiroz)

sexta-feira, agosto 04, 2006

Para um algOZ...ou da Decepção...ou somente um texto muito longo.



Foto: Tatas del GOSTs

Decepção é uma palavra estéril pra mim...até que me aconteça.Porque às vezes ela nos faz desvalorizar uma pessoa inteira por causa de uma única atitude.E quando se é tomado pelo emocional, dificilmente se consegue refletir, quem dirá por esse ângulo.

Eu conheço todas as fases de uma decepção: raiva, mágoa, tristeza, melancolia e depois um tipo de amor ferido escondido embaixo dessas quatro pedras. Quando você se permite viver a coisa toda, ela vai sendo descascada como uma cebola desnudada de suas peles até que só reste a libertação. Não digo a libertação da indiferença, aí ainda restaria mágoa, defesa...É mais profundo, é mais interessante...É a compreensão. Você, depois de se permitir o luto total, consegue enxergar que o outro não é mau, que você não é vítima, que tudo não passou de um triste encontro desencontrado, cheio de conseqüências...Que ele caberia direitinho na história de um outro alguém, não na sua. Mas escolher lidar com isso de uma maneira mais madura, é o único bem que se pode fazer, não pelo o outro, mas por si próprio...E a conseqüência disto, acaba sendo um bem duplo.

Depois que aprendi a ser água, a chorar como a chuva só pelo profundo respeito que tenho por mim até me desvencilhar da angústia, aprendi outras coisas e recebi benefícios que vêm junto...Sei que muitas histórias desagradáveis se repetem: não acredito que seja porque o mundo “esteja perdido”, mas porque EU, dentro de tantas outras possibilidades, devo estar condicionada a viver a mesma história_ primeiro passo que preciso dar adiante. Depois, seja lá o que o outro tenha feito, ele o fez porque ME permiti que o fizesse, ou ainda, se é algo de sua índole, “onde EU estava com a cabeça que com minha sensibilidade não percebi a energia estranha em que EU estava vibrando pra atrair uma figura que fosse capaz de.? Ou, por que percebi e aceitei que viesse? Que fantasmas meus esse outro alimenta?” Outro passo adiante... E assim, vou compondo caminhos mais ensolarados.

O mais bonito e mais profundo é quando você consegue se colocar passivamente, sinceramente no lugar do outro, esquecendo suas dores e seu orgulho por um momento pra tentar entender que, ele simplesmente pode estar condicionado às dificuldades, ao desamparo, ao desculpar-se, a não ser amado........Que ele deu exatamente o que tinha pra dar, que fez a única coisa que sabia fazer e que, ainda, deve sofrer mais do que qualquer pessoa que ele fira, porque não consegue amparar essa criança interna assustada que faz essa bagunça externa só pra chamar a atenção.

E sabe o que é mais difícil de aceitar? É que nada me garante que se estivéssemos em lados opostos, que eu não faria a MESMA coisa.

Eu detesto justificar os erros de alguém, até porque isto seria uma forma de me sentir superior quando julgo saber o que o outro sentiu ou pensou quando agiu.....é como se eu fosse tão sábia, que se o mundo inteiro falhasse eu teria as respostas...........(Mas eu ainda passo dias inteiros chorando por mim até perceber num momento de luz que, tudo bem, posso fazer aquilo, mas estou olhando só pro meu umbigo... E que não há nada mais importante naquela hora que meu umbigo...não há culpas, eu me permito e mereço, porque sou a que mais me aturo e que daquele momento vai vingar algum fruto bom_ e isso é um compromisso que assumo na hora da permissão que me dou.)

Eu descobri que, ao contrário de outras coisas, a melancolia não é uma escolha minha e que quando ela vem me estraçalha por dentro, me deixa em frangalhos...”Mas o que eu tenho a aprender com isso???” Era a pergunta que me faltava.........Eu tinha que exercitar a minha humildade e aprender a pedir AJUDA...Eu nunca soube pedir ajuda, eu só sabia entrar em depressão!!! Entrar em depressão é dizer ao mundo: “Não, nada do que se faça vai adiantar, porque eu não tenho mais perspectivas, não acredito em nada e não confio em ninguém”...E pedindo ajuda você permite ao outro semear um terreno árido, você dá votos de confiança, você se desnuda na sua mais íntima fragilidade, se expõe apavorado e inútil, desamparado e mortal e precisado daquele colo dele, que pode ser o único remédio pro seu veneno fatal. É onde a coisa toda começa a vibrar numa outra luz.............é quando a sombra some....ou se suaviza....ou assusta menos, porque o outro se revela também, na sua mais profunda disposição/ exposição pra ser útil a si mesmo neste reflexo que vem de nós.

Eu comecei o texto falando de uma decepção e continuei escrevendo num fôlego só, cheia de digressões .......Agora que ia concluir, descobri que quero mesmo é falar do amor:

Sabe quando você conhece o amor por si próprio? Quando sabe que não importa o que lhe façam porque você governa, escolhe, conduz a sua vida? Sabe quando você sabe que uma pessoa se sente bem ao seu lado só porque você sorri sinceramente? Quando você atrai muita gente saudável , dessas que sabem que merecem ser felizes integralmente e se trabalham , se melhoram a cada dia e que não economizam entregas? E que quando estão próximas, trazem à tona o que você tem de mais interessante? Pois é..........eu sei tanto que imagino que alguém que decepcione voluntaria ou involuntariamente por vaidade ou por maldade ou deficiências, certamente o fez por uma condição penosa: de não o saber.

O que dói mesmo nessas circunstâncias não é só o que foi causado.........é quando você percebe que a pessoa está vivendo uma escolha que ela fez, que ela está mais disposta a lamentar e a se vingar do mundo a simplesmente perceber a dor profunda que está guardada embaixo de tanta raiva............Que não podemos amaldiçoar a chuva, o vento, o sol: tudo vem ao seu tempo e com seu mais exato porquê...E que talvez não nos alimente naquela nossa expectativa, mas que, em algum lugar,alguém vai beber daquela água, daquela luz, daquilo que pode parecer um grande estrago pra gente, mas que é necessário pra beneficiar outrem..............Tudo intercalado, oscilando, necessário e UNO...

Eu ia falar de uma decepção.......mas ela se dissipou aqui, agora.....Conheço melhor o AMOR!

( e acho que nunca me expus tanto aqui...)

Eis que a vida é mais bonita do que parece e "de tão bobas tristezas, a gente se ria, nos friinho de entrechuvas..."
(Porque Guimarães me salva... Sempre...como quem me lê!)

P.S.: Sempre que algo desagradável me acontece que envolva alguém, lembro de uma frase que ouvi certa vez: " Ninguém está contra mim, todos estão a favor de si mesmos..."

P.S.2: Parece que tirei a semana pra desabafar aqui...hahahahahahaha

P.S3: Hoje é sexy-ta-feira e vai ter sooooolllllllllll!!!!!!!!!!!!!!

Marla de Queiroz

***

quinta-feira, agosto 03, 2006

ESTIO



A saudade é terreno fértil e a solidão, um baldio.
Te espero depois da chuva
num tempo de estio
com a fome do cio.
*
*
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(Marla de Queiroz)
*

quarta-feira, agosto 02, 2006

De alguns afagos


"Marlalinda, desculpa a ausência, minha florzinha de laranjeira.
Agora que vi o SOS na areia, passei na tua casa e vi umas páginas ainda úmidas.
Ah, querida.
É essa coisa de a gente ser além,
é isso de ser tudo
e também
vazante não contendo os segredos que precipitam cores por todos os lados.
Menina de dentro, colorida, morre não.
Fecha em botão, suspira, abre em flor.
Madura, cai semente e floresce, sempre regada a um novo amor. Que vem, demora mas vem, às vezes basta esquecer e o tropeço fica inevitável.
-Ai!...Não olha por onde anda?
-Desculpa, meu Deus, como não vi esta flor?
-Ah, se bem que...
-Tão linda a voz
...
É que inevitável é mesmo o amor.
Ah.
E o que tiver de ser não espera pela gente, será, será!

Uma estrela quente e todos os mimos que faltaram."


E essa estrela maravilhosa é a RAYANNE ...

Aproveito pra postar um trecho de um filme:

" Aprendi em Biologia:
Se semear muito fundo,
não esquenta o bastante.
Assim que emerge,
espalha as folhas e absorve o sol.
Se colhem a flor
ela produz um botão
que dará semente..."

( O Silêncio de Melinda)

P.S.: Obrigada a todos que me deram colo de um jeito ou de outro...




terça-feira, agosto 01, 2006

( In) permanência


Foto: Tatas del GOSTs
(...)

Você ficará...
Indiscreto e velado,
O meu mais secreto revelado
No poema apalavrado do sol-riso
em negritos das verdanas namorado.


Você ficará...
Fazendo dos seus rompantes meus repentes...
(Talvez, apenas)

Marla de Queiroz
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