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terça-feira, dezembro 12, 2006

Conclusão


Foto:António Lança
*
*
Dentro da aurora vaga,
na hora exata da sonolência do sol
(naquele momento em que o olhar tranqüilo do ócio
amolece as manhãs como se fosse sempre outono)
desataram as mãos e desviaram rapidamente o olhar em ruínas,
num rompante de rubricar com passos velozes
um fim.

No rodapé da página virada,
um poema sangrava lentamente...
*
*
*
(Marla de Queiroz)

12 comentários:

marcos pardim disse...

já se fez poema. agora, seu destino de vivo ou de morto já não importa mais. poemas têm o dom da eternidade.
té+ e 1 beijo

diovvani disse...

"naquele momento em que o olhar tranqüilo do ócio
amolece as manhãs como se fosse sempre outono"

Menina, isso deve ser o "átimo sublime" da criação.

AbraçoDasGeraes.

Rayanne disse...

Sangrando lentamente a aurora que jamais.
Lentamente ao poente, a dor de não mais.
Cadências de versos de riso ausente.

Onde a flor rompendo o que não é sol em rio?

Amo você, minha bela.

**Estrelas demais**

Leandro Jardim disse...

Marlilda, perfeito! Serinho...

"Dentro da aurora vaga,
na hora exata da sonolência do sol
(naquele momento em que o olhar tranqüilo do ócio"
Issé Lindemais!

"No rodapé da página virada,
um poema sangrava lentamente..." Chave de Ouro!!!

Enfim, tudo de bom e o poeta silencia em admiração!

bjs muitíssimos
jardinzinzinzinzin!

Clauky Saba disse...

e enquanto o sol se põe
marla compõe no ócio das cores...

linda, és irremediável!!!

poeta[]s

clauky

Clauky Saba disse...

e enquanto o sol se põe
marla compõe no ócio das cores...

linda, és irremediável!!!

poeta[]s

clauky

Múcio Góes disse...

verso em gota escorrendo na manhã solita...

Amormaço.

BjoLuz!

Tahkren disse...

Marla!
passando pra dizer que adorei seu poema.

"No rodapé da página virada,
um poema sangrava lentamente..."

Vou passar o resto da semana com esse trecho na cabeça.

Bjs

fernando arze disse...

Troco minha flor por um centavo de cobre
Que me deram num flutuante delírio entre montanhas da
Fontana di tremolina
Onde comi amendoins que um maricutu
Quase sem pelo triturava e vestia um ultraje de bailarina
Cinza com cores desnatadas
De leite condensado numa lata do sul da itália que continha
Silício e estanho em pó
Coberto de lençóis de linho que um duende maracutava numa bolha de espuma amarela
Dentro do avião onde me serviram bolinhos de bacalhau português
Como a tia do meu melhor amigo que tinha um gato que apenas queria comer
Feijão tropeiro porque seu namorado, um pequinês filipino,
Achava que comida seca era démodé.
Mas amor não é demodê.

Dora disse...

Querida Marla! Há tempos não convivo nesse mundo blogueiro que amo tanto...Problemas muito tristes, que não vêm ao caso, me tiraram desse convívio...
E, hoje,vindo visitá-la,percebi a razão do meu apego aos amigos blogueiros...Suas palavras, nesse post, me comoveram, ao me avivar a memória do fato de que a Beleza mora aqui, e ali( há Diovvani, há Rayanne, há mil poetas...)nesse universo virtual.
Beijos de emoção pura!
Dora

paulo vigu disse...

Meus dedos escorregam no rodapé da próxima página. Foi daí que percebi que se tratava do poema que sangrava. Jorrava saudade dali. Riodaqui.aí.com.você.paulovigu

Sandra Regina de Souza disse...

Do rodapé da página... sangrando... escorrem os versos de saudade... (acho que vou procurar anestesiar essa dor) bjos