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sábado, maio 06, 2006

Esboço de uma chuva crônica 2


Foto: Marco Paulo
( À maneira de Manoel de Barros)

Ontem a noite choveu agoniada por todos os lados.
A chuva foi botando silêncio no bico dos pássaros, desenhando uma voz para as plantas,
escurecendo a face das pedras.
A vida foi ficando cheia de barulhos líquidos e de palavras fluidas e escorregadias.
E a chuva deixou tudo tão encharcado, que agorinha mesmo, essa crônica goteja verbos:
mais um pouco, era capaz do mar lamber os carros no asfalto e a asinhas fechadas das borboletas.
Penso que dias assim desobedecem a euforia dos que se alimentam de sol;
talvez porque os encontros fiquem mais breves, assim como os azuis
ou porque algumas pessoas se esquecem que é debaixo dessa mesma chuva que nascem alguns encontros...
E algumas flores.
O resultado disso tudo foi Maria ter ido embora , toda salpicada de água doce e antes do combinado, fazendo Bernardo chegar em casa com o abandono deitado no rosto.
Quanto a mim, assistia a tudo pela janela.
Talvez porque quisesse ver vaga-lumes brotando no ar que agora estava fértil:
assim como fazem as estrelas.
Ou porque eu entendesse que em algum lugar, girassóis apareciam...
Porque beberam chuva.

Mas quando a chuva cessou, nossa casa estava alagada de silêncio...
E os nossos vaga-lumes eram lâmpadas acesas.
(Marla de Queiroz)

9 comentários:

Silvana Duboc disse...

Esse espaço está divinal!!!!
Estarei sempre por aqui.
Bjus

Silvana disse...

PALAVRAS
Silvana Duboc

Se me disseres que me amas, acreditarei,
mas se escreveres que me amas,
acreditarei ainda mais.
Se me falares da tua saudade, entenderei,
mas se escreveres sobre ela,
sentirei junto contigo.
Se a tristeza vier a te consumir e me contares, eu saberei,
mas se a descreveres no papel, o seu peso será menor.

... e assim são as palavras escritas;
possuem um magnetismo especial,
libertam, acalantam, invocam emoções.
Elas possuem a capacidade de em poucos minutos
cruzar mares, saltar montanhas,
atravessar desertos, intocáveis.
Muitas vezes perde-se o autor,
mas a mensagem sobrevive ao tempo,
atravessando séculos e gerações.
Elas marcam um momento que será eternamente
revivido por todos aqueles que a lerem.

Faça amor com as palavras, mate saudades, peça perdão,
aproxime-se, recupere o tempo perdido, insinue-se,
alegre alguém, dê simplesmente um bom dia,
faça um carinho especial.
Use-a a todo instante, de todas as maneiras;
sua força é imensurável.
Não esqueça que quem escreve,
constrói um castelo,
e quem lê, passa a habitá-lo.

Su disse...

To a ver que já passas-te a ressaca, ta optimo o texto... amei.

EU? Continuo lá, tao lá que nem me vejo!

Bons tempos virão!

Beijo-te de montão.

Su disse...

ah! lembrei-me!

o tema está divinal...

«Esboço de uma chuva crônica?»

, como direi isto....
lindoooo muito lindo! profundamente lindo!

Lelê Teles disse...

Lindo, perfeito, redondo. Manoeldebárrico.

Lelê Teles disse...

Deliciosamente lírico e lindo. Amei, fiquei imantado:Penso que dias assim desobedecem a euforia dos que se alimentam de sol"; isso é simplesmente divino e de Barros.
Um cheiro nas tuas palavras, um beijo em teus versos, e um olhar nocê!

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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