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segunda-feira, janeiro 30, 2006

CHUVA CRÔNICA


Previsão da semana é um espetáculo de chuva farta e inclemente, afogando dias inteiros e embrulhando o sol com suas nuvens cor de chumbo...
Ontem tinha imaginado inaugurar o dia na praia e beber litros de sol no gargalo: desejos desperdiçados. Porque chovia. Era mansa ou colérica, mas sempre com um ar de eternidade. E o mar aborrecido avançava escurecendo a areia da praia, cuspindo lixo: um espetáculo temeroso.

Em dias assim, tenho a impressão de acordar num mesmo e pavoroso domingo, desses em que só há abandono debruçado pelos quartos e lodo se alastrando pelo chão. A solidão vai tomando forma, se humanizando; parece Deus nos submetendo ao seu Amor Molhado, com tudo que nos rodeia cheirando a mofo e desprezo e esse ar parado aqui dentro carregado de mornidão e umidade. A chuva chega cobrindo telhados inteiros de saudades indefinidas, fazendo o vento alisar a pele de concreto das casas e embaçar a pupila acesa dos carros nesta noite antecipada.

Quanto a mim, observava a cólera da Natureza enquanto fumava com fastio do outro lado da vidraça.E no meio disso tudo, a miséria misturada à alegria líquida e estilhaçada dos mendigos. "Eu que ainda preciso de casa e cama pra dormir".

Apesar de alguma tristeza, algo neste dia trouxe uma sensação diferente.
Talvez eu esteja germinando, não sei.
O que sei é que ontem eu comecei a chover por dentro...
E dessa vez, acho que é pra sempre.

5 comentários:

Leandra disse...

Simplesmente maravilhoso...

alex jaccoud disse...

Acabei de ler todos os textos
estao maravilhosos
uma busca ou talvez um já encontrado caminho de grande qualidade nas letras
apóio e indico

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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