Segunda-feira, Julho 06, 2009

Compreensão e Paciência

Foto: Joca (Max) Pinto

No caminho onde o amor impera, existe uma felicidade guardada que ora se derrama, ora se dosa a conta-gotas quase que para provocar um receio. É que não estamos nunca de todo conquistados e até os laços mais eternos também têm suas fragilidades.E, ao mesmo tempo em que numa relação saudável podemos ser tão transparentes, há um pequeno mistério a ser constantemente desvendado.Como se em determinados momentos, tivéssemos que segurar o suspiro, ou guardar a frase de efeito para hora mais adequada. Como quando mesmo com muita vontade de dormir junto, tivéssemos que escolher a saudade pra valorizar aquele abraço.Amor assusta e dói, mesmo quando é só prazer.Toda possibilidade de passo contém em si a do tropeço.E é assim que a vida trama o inusitado para que a alegria não se esvazie na previsibilidade dos tempos. Não existe fórmula para que o amor dê certo, posto que tudo é tão dinâmico sempre.Mas existem duas virtudes que suavizam quaisquer conflitos: a compreensão e a paciência. Compreender é um exercício de alteridade: você, ao invés de julgar, se coloca no lugar do outro numa passividade profunda até que haja sentido nas atitudes, pensamentos e argumentos dele.E a paciência que se precisa ter pra esperar os processos, o amanhecer, a chegada do fim da tarde pro reencontro.Paciência para esperar que todos os sentimentos se acomodem em meio a todo aquele amor desmesurado.Em meio a todo aquele medo de que tudo dê errado.Compreensão e paciência podem preencher o vazio mais maciço.E as duas provêm de uma sensibilidade lapidada. O que se ganha com isso, além de uma evolução mútua dentro de um relacionamento, é um melhoramento individual de ambas as partes.Estar com alguém sem transformar-se é esterilizar uma importante etapa de aprendizado.Estar com alguém sem conhecer-se é subjugar o Universo que existe em cada um.Estar com alguém sem estar inteiro é minar a oportunidade mais especial de encontro.Não é preciso aceitar para compreender, nem estar passivo pra ser paciente. O que essas duas virtudes exigem é respeito: por si, pelo outro e pelo desenrolar dos fatos.Quando estamos UNOS com o TODO podemos perder o ritmo na Dança do Universo, mas permaneceremos sempre de mãos dadas.

*

Marla de Queiroz

P.S.: meu livro com dedicatória: marlegria@gmail.com


Quinta-feira, Julho 02, 2009

Soneto (presente)



MARLA


A Marla, a que é Queiroz, do Polem é a musa
Que cria ao seu redor uma empatia.
Pois, dela, se emana, em luz difusa,
Seu charme que, ao grupo, se irradia.

É bela, com a beleza que cativa,
Pois, nela, é inerente a simpatia.
A voz, que aos poemas enfatiza,
É doce, com o verso em harmonia.

Na praia, todo o Polem, agradece,
A graça da presença que enaltece
A própria poesia que ela tece.

Até, Copacabana, encantada,
Diante à Lua cheia prateada,
Exalta a que é, do Polem, a namorada.

(Manoel Virgílio)

P.S.: Agora me digam como se agradece coisas assim!Pra quem ainda não sabe, POLEM é nosso encontro semanal de poesia aqui no Leme. Toda quarta-feira, a partir das 19h, quiosque Estrela de Luz, em frente ao La Fiorentina.
Meu livro com dedicatória pelo e-mail: marlegria@gmail.com
P.S.2: Em breve post novo...Ando tentando organizar tanta alegria pra escrever aqui pra vcs.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Quando não poderia ser diferente

Foto: Gonçalo Martins


Não há decisões estabanadas, nenhuma história termina no dia em que ela realmente acaba. Há sempre um desvencilhamento anterior lento, sutil.(Como quando alguém percebe que gradualmente foi perdendo o apetite na hora em que costumava sentir mais fome).Não há aquilo que poderia ser feito de outro jeito. O aprendizado incluía as decepções e os acertos de ambos os lados.E, neste ínterim, os momentos de encontro: dos sonhos, solidões ou prantos.Não há dor que se amenize usando a força momentânea da raiva.Um coração machucado precisa de silêncio e colo, não de berrar aos quatro ventos sua falsa independência. Há ruídos que maculam o que deveria ser preservado.Há que haver gratidão pela lição que vem do que não pode ser mudado. Mas há sempre a possibilidade da transmutação.Numa desilusão, esteja atento: ninguém se perde de si mesmo porque foi abandonado. Por maior que seja a luz, não deixe que a sua sombra o encubra só porque um ciclo acabou sem explicações plausíveis.Há sempre alguma coisa nova por nascer e que precisa deste espaço.Há sempre uma história mais bonita adiante.Há sempre uma forma mais saudável de lidar com sua dor. E recriar o seu destino, tentar se harmonizar com as decisões do outro sem trazer para si as incompletudes dele, é uma forma bem mais interessante de sentir amor.
*
*
Marla de Queiroz

P.S.: Meu livro "Flores de Dentro" com dedicatória pelo e-mail: marlegria@gmail.com
Amores da minha vida, OBRIGADA! Tenho recebido os e-mails mais lindos que alguém poderia receber.Este texto é uma influência das várias conversas que tenho tido com pessoas que se abrem comigo, que me confiam coisas íntimas, lindas, dolorosas. Espero que ele se comunique com pelo menos um de vocês.TODA MINHA GRATIDÃO.

Sexta-feira, Junho 12, 2009

COR-RENTE-TESA


Foto: Bruno Abreu


Ele está em mim
No que sei e no que desconheço
Na palavra que amo, na poesia que esqueço
Num desvario de planos
Num poeminho que teço
Ele está em mim
no que sigo,
no que sou,
no que digo
e onde vou.

Ele está em mim
No que calo e no que faço
Na tarde vazia, na noite que abraço
Na sucessão de enganos
E na certeza de aço
Ele está em mim
no que consigo
no que desisto
no que recrio
no que insisto.

Ele está em mim
Na melodia que ouço
Na ventania que ouso
Num esmiuçar de sonhos
Quando vôo e quando pouso.
Ele está em mim
Com violência e delicadeza
Com paciência e aspereza

Ele está comigo

Na insistência de um mergulho na beleza

mesmo quando sei:

Perigo, correnteza!
*
*
Marla de Queiroz

P.S.: Sejamos urgentes para o amor!Meus livros com dedicatória: marlegria@gmail.com
Não esqueçam de votar no selinho ao lado! Obrigada sempre!

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Minha melhor companhia

Foto: Xã


Ele não sabe mais nada sobre mim.Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos, mas que tenho estado quieta, calada, concentrada numa vida prática e sem aquela necessidade toda de ser amada. Ele não sabe quantos livros puder ler em algumas semanas.Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos.Ele não sabe que a cada dia eu penso menos nele, mas que conservo alguma curiosidade em saber se o seu coração está mais tranqüilo, se seu cabelo mudou, se o seu olhar continua inquieto.Ele nem imagina quanta coisa pude planejar durante esses dias todos e como me isolei pra tentar organizar todos os meus projetos.Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa.Que tenho sentido mais sono e ainda assim, dormido pouco.Que tenho escrito mais no meu caderno de sonhos.Que aqui faz tanto frio, ele não sabe por mim.Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre.Ele não sabe que eu entendi que se eu resolver a minha dor, ainda assim, poderei criar através da dor alheia sem precisar sofrer junto pra conceber um poema de cura.Hoje foi um dia em que percebi quanta coisa em mim mudou e ele não sabe sobre nada disso. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.
*
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Marla de Queiroz

P.S.: Meu livro "Flores de Dentro" autografado pelo e-mail marlegria@gmail.com
Aos fãs deste blog, votem no selinho à direita! Beijos, amores!
Vocês me revigoram!

Sexta-feira, Maio 29, 2009

Sobre a liberdade



Foto: Bruno Abreu


Impor limites não é uma estratégia, não é uma falta de liberdade, é uma libertaçãoÉ preciso se conhecer muito e ter muita sensibilidade e respeito por si e pelo outro para ter a sinceridade de dizer: comigo você só poderá chegar até aqui. Porque o meu limite acaba sendo o de alguém também.É como um aviso: se você tentar ir além, vai invadir, estragar, tentar corromper e eu não quero, não deixo. É pedir pro outro que desenvolva certa sensibilidade.Não há mal nenhum em saber dizer que a gente só pode, por enquanto, ir até aquele determinado ponto. Isso é de um profundo respeito por todo mundo.

Quem sabe impor limites aprendeu a dizer um não sincero, em vez de dizer sim e fugir depois agoniado deixando alguém num deserto de dúvidas sobre o que possa ter acontecido. Quem aprendeu a impor limites, aprendeu também a não se magoar com os nãos sinceros que recebeu, mas a agradecê-los.Quem acha que ser livre é não ter limites, acaba sendo escravo de um comportamento, de um vício, de uma alegria, de uma convicção, de um relacionamento que não se pontua nunca. Isto é limitador. Ser livre é saber estabelecer limites dentro daquele contexto e ainda assim poder olhar pro mundo e para si próprio com uma visão ilimitada:_o que significa saber que tudo é impermanência: estou e quero algo assim hoje, este é o limite agora, mas tudo é provisório porque eu posso tudo e respeito o Universo que me permeia, e quero estar aberto a todas as outras possibilidades.

Quem aprende a impor limites, também aprende a compreender o mundo, as delimitações, as deficiências alheias e as próprias. E quando seria uma situação de mágoa, sabe que por mais que lhe pareça desagradável a atitude do outro, isto deve ser o melhor que ele tenha a oferecer naquele momento, é o seu limite, o que não o reduz a ele.

Ontem comecei uma pintura abstrata numa caixa de papelão....a idéia era deixar a mão fluir em liberdade para criar. Fiz os contornos em preto com toda a fluidez da minha imaginação. Em determinado momento, senti vontade de preencher com cores os espaços demarcados. E foi aí que descobri: eu não queria que o meu verde invadisse o roxo, mudaria absolutamente a cor.Eu queria exatamente aquilo: as duas cores próximas, em harmonia, mas com o traço preto delimitando seus espaços, para que todos pudessem se sobressair na sua peculiaridade e para que, no coletivo, brilhassem juntos. E para isso, eu precisei criar barreiras para impossibilitar as cores de se misturarem.

Pintando a minha caixa de papelão foi quando descobri que estabelecer os meus limites fazia parte daquele meu momento da mais total liberdade de expressão.

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Marla de Queiroz.


P.S.: Amores! OBRIGADA SEMPRE!!!!!!!!!!!!!Vocês são o combustível deste blog!

Marley, me aguarde, ainda vou te agradecer direito.

Quarta-feira, Maio 20, 2009

Síndrome do coração partido

Foto: Bruno Abreu



Era tão estranho...porque mesmo sabendo que ia dar tudo certo, porque já deu certo, porque estava dando tudo certo, morria de medo que parasse de dar certo. E mesmo quando estava feliz, muito feliz, sentia uma certa tristeza porque só pensava quão ruim seria perder aquela felicidade. Pois estando sossegada e vazia como antes, pelo menos não tinha nada a perder...E vivia suas pequenas tragédias imaginárias como se fossem reais e ia esfriando, esfriando, se preparando prum tombo que nem sequer havia sido anunciado. E nem conseguia perceber que se eles já não mais passavam mal de tanta paixão é porque a coisa havia mudado: ganhara um equilíbrio qualquer que lhes permitia comer e fazer outras coisas triviais sem que se consumissem pensando no outro com toda aquela febre.Era pra celebrar perder aquele desespero pois continuavam trepando com a mesma fome, se fazendo companhia com a mesma diversão, falando das coisas mais importantes e evitando mergulhos fora de hora que poderiam terminar em feridas ou naquele esmiuçar insistente dos que se sentem num constante afogamento e precisam se agarrar ao pescoço de alguém pra não afundar sozinho E era tão estranho esse medo todo que quando corria na praia e o seu coração apertava, pensava logo que era um mau-presságio, uma angústia funda, um aviso ruim, quando na verdade só era preciso diminuir um pouco o ritmo e se lembrar de respirar adequadamente dentro daquela atividade física. E no fundo sabia que sempre daria certo, pro sim ou pro não, sempre seria como deveria no tempo que é próprio, na transformação que é necessária. E que o seu medo não mudaria o destino das coisas_ só a fazia querer de maneira estabanada e em estado de pânico, induzindo ao auto-boicote: evitava um abraço quando mais precisava dele, dava um beijo seco quando queria deixar que ele invadisse todo o seu corpo, deixava de escrever as coisas mais bonitas pra não alimentar um possível desinteresse do outro.E ficava jogando sozinha o jogo imbecil dos que temem porque ignoram a tranqüilidade. E ficava triste, desconsoladamente triste quando poderia estar sendo o momento mais pleno da sua vida: ela estava apaixonada pela sua confusão. Era só prestar atenção no outro, na atmosfera, nos gestos.Mas só tinha olhos pro seu medo.Era só ter mais confiança na vida e lembrar das tantas outras vezes que sobreviveu. E que munir-se não a imunizava. E ela só não entendia que isso ainda acontecia porque sempre investia na coisa errada: investia todas as fichas no outro esperando retorno até não sobrar nada pro trabalho mais minucioso: investir no sossego do próprio coração.
*
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Marla de Queiroz

Quinta-feira, Maio 14, 2009

Requintes de delicadeza

Foto: Maria Ivone



É com requintes de delicadeza que me conquistam. Mesmo que eu tenha crises de mau-humor ou de independências, espera com tranqüilidade minha entrega, deixa eu querer ficar até que eu pense por dentro: “ isto é a felicidade!”.Mas não desarrume minha rotina tão bruscamente, nem exija de mim o contrário do que havia quando me conheceu.Assim, eu serei outra pessoa, e nada mais restará do encanto.É com requintes de delicadeza que te guardarei no corpo.E não vou querer nada além do que nos parecer justo: tua mão na minha , meu olhar no teu, e um Universo inteiro por explorar...tão nosso.
Ao contrário, eu me despeço. Com todo o requinte de delicadeza que certas crueldades têm.
*
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Marla de Queiroz

Terça-feira, Maio 12, 2009

PRESENTE!!!!!!!!!!



Aperte o play!




Marla da Orla
(Miguel dos Anjos /
Mário Roberto Ferreira)

Marla da orla
La bele feme
Morena Marla
Poema do Leme

Em teus sonhos
Eu quero entrar
Teu sorriso
Eu quero provar
Muito além da palavra
Eu quero chegar

Tua meiguice
É de uma morenice
Fácil de se apaixonar
Vem me mostrar que rimamos
Mesmo ainda sem planos

(Deixa de lado esse pudor e vem)

Marla da orla
La bele feme
Morena Marla
Poema do Leme

P.S.:
Amores,
Ganhei esta música de presente.
Compartilho com vocês.
Amanhã descubro o programinha que não deixa a música tocar
automaticamente, só quando apertar o play....rsrsrsrsrs

P.S.2: Foto Lua Leça

Quarta-feira, Maio 06, 2009

Das coisas que eu sei

Foto: Marcos Tavares Carlos


O peito era maior que o céu aberto.
Parávamos. E sabeis
Que o que contenta mais o peito inquieto
É olhar ao redor como quem vê
E silenciar também como quem ama.


(Hilda Hilst)

Não quero mais ser apenas a mulher fatal, aquela que desatina juízos, desarruma os lençóis e transforma a tua vida num redemoinho doce. Quero ser também a tranqüilidade das tardes sonolentas depois do almoço, a fluidez das horas ociosas. Quero ser canto, colo, aconchego, rotina e abrigo de paredes concretas. E uma ponte para o exterior quando a madrugada inquieta...Quero permanecer mais do que estar, sem me preocupar pra que direção o vento levará teus desassossegos.

Mas, deste caminho que te apresento, faço do convite esta certeza de mãos dadas só no início... Pois há algo que mesmo quem teme , ignora: é possível que a estrada seja engolida: pelas águas, pelo cansaço, pelo desperdício das horas, pelos indícios.

Não acredito mais na idéia de amor romântico, por isso, perdoa se te transformei no homem da minha vida, eu deveria ter deixado que você se tornasse por mérito próprio.

E se percebo que não há garantias é porque nunca as tive: nem nas ausências, nem durante a mais intensa companhia. E destes gritos que abrangem um mar inteiro numa breve manhã ou numa tarde sem carícias, me desvencilho. Quero saber que você existe, que já esteve em mim e comigo, mas que é tão livre para ser quanto eu sou. E que esteja e seja matéria ou substância etérea sem me machucar com tua existência sólida. Não quero que nada sobre você me pese nos dias e nem que a saudade me faça acordar com o olhar mais triste que já tive. Quero saber-te pleno e estar feliz por isto, seja lá qual for o motivo. Quero saber-me plena e casada com o amor, mesmo que você já não seja mais o foco.Há muito alvoroço de mar em mim, deixa que eu viva e escreva por esta Natureza.(Nasci explícita para que ningúem me guarde num segredo.)Sou permanência e transitoriedade. Sou reminiscência e novidade.E sei e sinto e vejo mais do que gostaria.

E, se isto me orienta, também me angustia.

Você sabe, às vezes me falta destreza.

E para que não seja sempre assim tão ácido,

Não sejamos nós,

Antes, sejamos laços:

Desses que se atam e desatam com delicadeza.

*

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Marla de Queiroz


Quarta-feira, Abril 29, 2009

Nossos pontos cordiais


Foto: João Cigano
*
Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e com a altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheias de água, bebe em goles grandes, bons. E era isso que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem.
(CLARICE LISPECTOR. “Onde estivestes de noite”.)
*

Abro as pernas e as palavras se contraem: tua língua se apropria do meu texto, tua fala sempre tão bem dita.Fecho os olhos: teu poema me penetra, nossas palavras gemem, a poesia grita. Mas eu guardo em segredo minhas frases mais aflitas. (Pelo menos dessa vez não vou deixar que o meu medo te pareça abandono.Pelo menos dessa vez não vou supervalorizar nossa história que é apenas tão bonita.) Vou deixar que se enfie em mim com dedos, membro, língua e malícia.E o teu corpo, meu tutor, se apropriar do meu sem dono, num abraço pélvico escorregadio, num enroscamento longo qual novelo de delícias.


Nem importa mais se a nossa música já não toca, que nos toque em silêncio essa carícia.

*

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Marla de Queiroz

Terça-feira, Abril 28, 2009

Mudando de (falta de) assunto ou colhendo os louros

Klimt


Prometeu a si mesma:
Não me caberá mais nenhum drama. Só terei esperanças e perspectivas.
Quando algo ensaiar doer, sentirei sono porque acordo cedo no dia seguinte.
Quando um amor ameaçar acabar, lavarei a louça enquanto espero a champagne gelar.
Sempre haverá essa espera por finais:
De semana, de campeonatos, de novelas.
Tudo será esperança de um final eterno desse drama.

(E seguiu comendo os louros que deveria apenas colher...)
*
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Marla de Queiroz

(sem assunto)


Foto: Clarisse Regueiró



E, no cultivo pela falta de memória,
evitou qualquer contato:
restaram tantas cicatrizes sem história.

(O word alertou:
"verifique se não há espaço demais entre as vírgulas"...)

*

*

*

Marla de Queiroz

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Quando o tiro sai pela culatra



Esquecer alguém é tão difícil, mas como é triste deixar de gostar. Fica uma espécie de falta de assunto. Você cumpre sua rotina, faz tudo que deveria fazer, mas sente que te falta algo, além de assunto. Talvez aquela dorzinha latejante que te fazia consciente do teu coração pulsando o dia inteiro. E você tinha um objetivo tão grandioso: fazê-la cessar. E um dia você nem percebe que ela se foi. O desconforto é outro: parece que não sinto nada. Meu corpo inóspito, sem habitação. Tenho minha alma larga, mas ainda sobra este espaço prum amor eterno que ele ocupava e que não existe mais. E eu tenho todo esse potencial amoroso entre as mãos e ninguém pra me ajudar a desenvolvê-lo. E conviver com esse “não gosto mais” vai ficando pegajoso. Não há como recolher o que foi deliberadamente esvaziado de significado. Então é isso: Nunca mais vou sonhar com uma reconciliação, um reencontro ao som de violinos. Nunca mais vou imaginar que nos esbarraremos por aí, eu no meu melhor vestido, com meu cabelo incrível e um ar sereno. Ele todo lindo com os olhos salivando de vontade de mim. Nunca mais vou delirar que subo num palco repentinamente e canto só pra ele com uma voz perfeita em meio a uma platéia equivalente a um Maracanã cheio: todo mundo emocionado com o nosso amor.Nunca mais serei piegas.
Mas o que eu faço com esse “não gosto mais”? E se ele fizer tudo pra me trazer de volta eu simplesmente vou olhar nos olhos dele como quem tem os dedos presos entre a porta que se fecha e dizer sem rodeios: Não!? Assim como quem não sabe o que fazer com algo que se esperou tanto e que aconteceu somente quando perdeu completamente o sentido? Esquecer alguém é tão difícil, mas deixar de gostar traz um vazio absoluto. Porque até que outra coisa tão real e surpreendente aconteça, parece demorado e dá preguiça demais. E quando estiver carente e me fizer deslumbrante e disponível terei que esperar que alguém interessante apareça com o mesmo blábláblá dos primeiros instantes, com a mesma perfomance das máscaras sociais. Ele já sabia tanto quando eu nem precisava dizer. Era tão delicioso a gente só se olhar, cúmplices, e seguir por aí, de mãos dadas, tão donos do mundo. Era tão maravilhoso saber que meu projeto de vida era acordar ao seu lado todos os dias. Era tão excitante ficar atualizando a caixa de e-mails esperando o dele, saber do telefonema no meio da tarde, das mensagens sacanas que me faziam ouvir sua voz ao meu ouvido.Quer dizer que isso tudo ficou no passado? Que meu corpo está completamente destituído de afeto por ele? Foi pra isso que fiz tanto esforço? Foi pra isso que me desvencilhei de todos os resquícios dele num tratamento de choque radical de quem simplesmente rompe com tudo que possa levar a uma recaída? E se eu quiser gostar de novo, não tem mais jeito? Mesmo que ele, finalmente, mereça (!) eu não vou querer mais?
Porque a nossa relação me ocupava plenamente.E, agora, nas horas vagas e sem ocupação emocional, eu sigo mais vaga que as horas todas.(Nem a minha autosuficiência tem me bastado).

Esquecer alguém é muito difícil, mas não lembrar pode ser ainda mais doloroso.
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Marla de Queiroz
P.S.: Isto faz parte do processo....e nem é a parte mais importante.Há muito mais adiante.
P.S.2: Vocês me superam nos e-mails que elogiam meus textos. Vocês me deixam boquiaberta e sem ter como agradecer.Sou privilegiada por tanto, tanto amor. Transbordo de amparo.Transbordo de vontade de que nunca me falte inspiração e que eu possa continuar, por aqui. OBRIGADA é palavra que já não comporta tanta gratidão. Tenho tido alegrias indescritíveis com o que tenho recebido.
P.S.3: Meu livro com dedicatória: marlegria@gmail.com

Segunda-feira, Abril 20, 2009

Um novo capítulo


Posso ver a claridade além do sol, antes disso, nuvens se aconchegam juntas sem nenhum trovão. São delicados os ventos do outono.Caminho em direção à chuva que desabrocha adiante e entrego meu corpo às águas que o céu despeja em uníssono com meus derramamentos.Todas as minhas expectativas frustradas escoando pela terra.Tenho tudo que preciso e abro o peito e os braços e digo um SIM sonoro para o que meus olhos alcançam, o meu peito suporta e o mistério penetra.Eu me sinto em casa: tenho a imensidão do mar e horizontes inalcançáveis. E o que me faz caminhar é essa sucessão de desafios que não cessam, para que eu conheça meu poder de superação.

Eu construo minhas estradas e meus navios.E depois os aprimoro.E para que navegue ébria ou caminhe resoluta numa linha torta, preciso estar forte feito rocha. Eu moro nos mirantes quando preciso montar a trajetória dos meus próximos mapas. E abraço cada sensação que tenho ao apontar com o dedo meu próximo lugar sem um provável endereço.E, em vez de cidades, encontro sentimentos_ países inteiros a serem explorados: Amor, Medo, Confiança, Insegurança, Solidão... Meu destino é a Sabedoria. Não procuro atalhos, sei que é longa a travessia.

Estou virgem e confiante para que nada corrompa minha inocência, o que não significa ingenuidade. Não guardei memórias de dores ou desesperos passados. Eu me apeguei ao aprendizado. Eu me perdoei faz muito tempo. Sinto apenas que vivi as escolhas que fiz e não há erro nisso. Eu só tinha maturidade para experiências específicas e foram elas que me conduziram ao meu coração, a minha fonte criadora. Tenho tanta força em mim que não poderia guardá-la apenas para momentos adversos, tive que usá-la também na experimentação de um prazer exagerado, na minha sede pelo gozo absoluto.

No meu trabalho interno pelo desapego foi quando descobri que sempre me faltou fome, mas me sobravam apetites. Agora já percebo quando ainda não é a hora do mergulho, mas a de me encharcar sobre as superfícies. Percebo quando não sou eu quem tem de penetrar a água, mas de deixar que ela escorra sobre mim. Aprendi a me oferecer mordomias emocionais como adiar decisões dolorosas e a de ter a disciplina de cumprir rigidamente meus prazos.

Antes eu pensava que nunca havia tempo suficiente, hoje eu percebo que o melhor emprego do meu tempo é neste desvelar de mim mesma, nesta busca por uma orientação interior tão nítida que nada se misture à inquietude dos meus desejos. (Nem sempre se deseja o que é melhor) Não há mais lamentos, sou eu quem governa a minha vida e o meu tempo. Sou eu que escolho quem vai conviver comigo e participar da minha (auto)biografia, ser o foco da minha poesia ou desfrutar comigo apenas um breve e intenso momento.


(Posso ver com clareza além do sol...agora.)


*

Marla de Queiroz


P.S.: Clique no flye acima para saber os detalhes da festa.

P.S.: OBRIGADA A TODOS VOCÊS PELO QUE ME DÃO DE AFETO, PELAS COISAS ÍNTIMAS QUE COMPARTILHAM POR CONFIANÇA


VOCÊS ME APRIMORAM.




Vendas do livro pelo site da http://www.editoramultifoco.com.br/ ou com dedicatória pelo e-mail: marlegria@gmail.com

Sexta-feira, Abril 17, 2009

Sobre a renúncia

Foto:Raquel Alexandra



Renunciar a algo que amamos muito e que desejamos com toda a força do coração é uma das decisões mais cruéis de se tomar que conheço. Porque a perda equivale a uma morte dupla: morrer para alguém e matar a pessoa na gente. É como se sobrasse por dentro apenas um casarão vazio com um jardim morto. E, de repente, tudo tão subitamente anoitecido sem previsões de dia novo. É um caminhar lento e arrastado numa espera sombria de que as horas passem e o tempo leve essa febre alta sem medicação possível. É preciso que haja tanta paciência e firmeza por dentro pra não entrar em desespero, que a sensação que se tem é de estar meio fora do ar, com tanto esforço. E até chorar fica difícil, teme-se que nunca mais o choro cesse.
Há muitas perdas quando se termina algo que não se queria ter terminado: muda-se a auto-imagem, alegrias ficam suspensas, sonhos desaparecem por um tempo e nenhuma cor na paisagem. O cotidiano fica obscurecido por aquela lacuna aberta no meio do que era a parte mais interessante dos dias.
Com o tempo, você analisa que abrir mão de algo muito importante, só se faz quando se tem um motivo maior que esse algo: seja um propósito, uma crença, um valor íntimo, uma obstinação qualquer que te oriente para essa escolha que já se sabia tão dolorosa. É um sacrifico voluntário por algo mais pleno, mais grandioso em Beleza. E, nestas análises, você descobre outras perdas que são positivas: perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão. E você aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas...
Como quando é noite e antes de dormir você se enche de gratidão:
“Deus, obrigada, porque é noite e eu tenho o sono... Que venha um sonho novo, então.”



*



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Marla de Queiroz

Terça-feira, Abril 14, 2009

O medo do amor


Foto: Marta Ferreira

Eu não tenho medo do amor.Eu tenho medo é de amar quem tem medo dele.Amar quem teme o amor é como se apaixonar por uma sucessão de desistências. É como viver apenas a possibilidade de algo, mas com a sensação de que ela nunca se estabelecerá.É ficar intranqüilo não com o amanhã, mas com os próximos minutos. Quem teme o amor vai embora antes de fazer as pazes com ele.Antes de saber que surpresas ele reservava. Quem teme o amor teme caminhar de mãos vazias em direção ao desconhecido.Está sempre baseado numa repetição do passado.E acha que a vida será como todos aqueles dias idos.Quem teme o amor não vê a pessoa que conheceu, não se dá a oportunidade de ser amado de outra forma.Quem teme o amor se envolve é com o drama de todas as feridas que vieram à tona porque ele não se permitiu ficar sozinho e confuso o suficiente para curá-las.Quem teme o amor não aprendeu a pedir ajuda nem a receber a cura do Universo.Ele se acha maior que o amor e não conjuga o verbo.Quem teme o amor consegue ser mais perverso do que quem o magoou.

Quem tem medo do amor , pra se preservar, não se permite delirar lindamente....e perde a parcela mais deliciosa que o amor prometeu....por medo de amar.

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Marla de Queiroz

P.S.: Obrigada, obrigada, obrigada! Vcs me dão muito! Amo os e-mails, os recados no orkut, as homenagens nos blogs e no youtube....Que vcs tenham sempre, com urgência, aquilo que o coração de vcs deseja de mais saudável pra vcs e pro Universo.



Quarta-feira, Abril 08, 2009

Um presente...no outro

Foto: Joe Taroga
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Rio de Janeiro, Mirante do Leme, num desses dias em que.
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Para você, meu amor.
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"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. "
[ Clarice Lispector ]
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Há tanta delicadeza nos finais das tardes de outono, que quando o sol encerra o seu expediente, caminho em direção à paisagem que quero reter e enviar pra você em pensamento, como quem embrulha um presente. (Mas me desconcerto toda quando a onda lambe a rocha: é sensual demais, não há como não lembrar a tua boca).

E o dia se despede suave feito um colo. E o verde intenso da mata que se aproxima a cada passo meu, dispensa outras harmonias. (Mas me desconcentro inteira quando vejo a ave mergulhando em captura: impossível não lembrar os apetites teus).

Segura entre as mãos, então, esta cena: agora uma onda ergue-se lentamente, numa letargia fascinante, parecendo desinteressar-se pelo próprio movimento. Vagarosa, curva-se como que num espreguiçar até que seja possível ver com tranqüilidade a parede de água que se forma lisa de tão esticada, antes da debruçada repentina sobre a areia. (Você perceberia dentro deste mesmo tempo).

No meio disso tudo, uma saudade indiscreta da tua cara de insônia pelas manhãs. (Por não dormirmos juntos esta noite, a noite já cai farta de si mesma). E eu fico toda lamentosa de saudade sem tristeza, querendo reclamar da nostalgia...
Mas só consigo agradecer por você ser real... me dá tanta alegria!



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Marla de Queiroz

Terça-feira, Março 31, 2009

Tua ausência

Foto: MARIAH

Tua ausência cala o mundo. Só há silêncio debruçado nos caminhos. Nenhuma música, buzina ou voz.Não há flores, gemidos, mordidas na boca. Não há gargalhadas, trovões ou gritos_ apenas relâmpagos imaturos que acendem um céu sem lua, sem estrela, sem chuva, sem qualquer coisa que me tire a atenção da falta.Tua ausência cala o mundo, o mar, os ventos.Tua ausência desaba silenciosamente sobre meus dias, soterrando meu outono... Ela magoa demais o meu sossego.
(Tua ausência é essa substância densa.)
Tua ausência é tão presente que é pessoa...
e me abraça.


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Marla de Queiroz


P.S.: Vendas do meu livro com dedicatória pelo e-mail: marlegria@gmail.com


ou através do site da http://www.editoramultifoco.com.br/



Sábado, Março 21, 2009

Iansã dos Ventos

Foto: Luís Trancoso


Entre um cigarro e uma fresta de desespero, eu escolho a palavra. Tenho raiva de dores que me calam fundo. Filha de Iansã dos Ventos, eu mudo a direção das chuvas se pretendo outro tempo ou momento. Meu corpo é cais e mar aberto. Meu coração é caos, céu encoberto. Minha mente, esse relâmpago de luz.A escolha é sempre extrema.Não me comovem tuas palavras tão amenas.Então que minha sede traga tempestades e que meus seios incitem teus maiores incêndios. Não gosto de superfícies ilesas, eu busco o de dentro. Posso transformar tristeza em raiva pra sentir mais força. Posso afogar minha doçura num rio de águas tão enjoativas. Mas sei reverenciar o mar que temo.
E quando eu te tiver nos braços, Obaluaiê, me escuta: você terá a realidade dos teus sonhos. Não pretenda minha fúria, queira-me mansa.Não pretenda minha mansidão, queira-me intensa. Perceba quando eu digo um sim dentro de um não.
E quando eu te tiver nos braços, Obaluaiê, me escuta: só te restará a escolha entre a tempestade e o furacão.

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Marla de Queiroz

P.S.:Vendas do meu livro " Flores de Dentro" com dedicatória pelo e-mail marlegria@gmail.com ou pelo site da Editora Multifoco.
P.S.2: Pros que moram no Rio de Janeiro ou estiverem passando por aqui, vamos nos encontrar? Quero saber que rosto vcs têm, o que fazem, do que gostam...Dia desses fui entregar um livro pra Bebel Clark....Foi uma tarde inesquecível! Viramos melhores amigas de infância.Tenho muita curiosidade em saber quem são vcs que vêm aqui e me dão tanto afago de longe. Eu quero mais de vcs.Eu tomo chope, água de côco, faço caminhadas homéricas, adoro falar, ouvir. Vamos? Quem se habilitar me manda e-mail.
Obrigada pra sempre.

Sexta-feira, Março 13, 2009

Por que eu amo o nosso amor?



Foto: Michelle

Porque você chegou assim
Derramando poesia em mim
Inaugurando meu caderno
De pressentimentos bons

Por todas as noites e tardes
E amanheceres intensos
Pelos longos dias que passaram rápido
Pela história de prosperidade incerta
Mas de tanta inteireza e entrega
Eu te guardo na lembrança mais bonita

(Por todas as páginas que vestimos pra nos desnudarmos)

Meu menino bom
Meu poeta particular
Meu amante voraz
Por você se derramar
Até eu ficar molhada
Jamais esquecerei tuas incandescências
E esse amor que acendeu em mim
Novas exuberâncias

E se nunca havia me comprometido com tanta certeza
É porque eu tentava caminhar onde não havia espaço

(E no seu abraço eu encontrei o caminho mais perfeito pro meu próximo passo)

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Marla de Queiroz

P.S.: Vendas do meu livro " Flores de Dentro" com dedicatória pelo e-mail marlegria@gmail.com

Obrigada pelos e-mails incríveis, pelos afagos eternos, por todo o interesse pelo meu trabalho.

Isso me faz caminhar com mais disposição e alegria.

Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009

Paiságina

Foto: Gabriel Angra

Observo por um tempo o comportamento solitário das palavras e espero até que elas queiram se relacionar. Se encosto uma ao lado da outra e há estranhamento, talvez nasça um texto bom.Se as aproximo e o abraço imediato, talvez eu só consiga chegar ao lugar comum do romantismo.Tenho procurado em mim mais rebeldia poética.Eu queria conseguir dizer algo tão inusitado que mudasse a minha própria leitura de mundo, meus relacionamentos. Minha inquietação vem dessa vontade de me aprofundar no desconhecido sem a pretensão de conhecê-lo. E me embrenhar com entrega na coisa viscosa que é o escuro das coisas. Como um amante viril, queria adentrar o corpo do conteúdo do mundo por puro instinto, sem essa preocupação com a delicadeza. O dizível não tem me seduzido ao ponto da insônia. Eu não quero namorar o marinheiro, eu pretendo o maremoto_ criar num corpo um cais e deixar que tudo seja engolido até que eu não tenha novamente chão...e mergulhe.Ando habitada por redemoinhos e alguns versos de água doce que eu ainda não chamaria de chuva.É mais perene do que isso e fluido como um rio.Mas é meu e solitário.
Usei todos os meus recursos estilísticos até aqui porque pretendia contar uma história. Mas ela foi tão rasurada que, percebi, não pode mais ser salva.

É composta por desertos esta paiságina...

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Marla de Queiroz

P.S.: Meu livro com dedicatória comigo pelo e-mail: marlegria@gmail.com ou pela Editora Multifoco.

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Acasos Literários


Meu livro com dedicatória comigo no dia do evento ,ou pelo e-mail: marlegria@gmail.com
ou pelo site da Editora Multifoco.

P.S.: Clique na imagem para vê-la ampliada.

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

FERVEreiros


Foto: Alexandre Ferrer

Na explosão do verbo,
minhas palavras vestem-se de lábios e línguas.
Na construção do enredo
meu corpo inteiro exerce a função
de explodir em gozo, anunciando carnavais
e intenções lascivas.

(Somos dois adolescentes abraçados na chuva
desaguando versos, verbos, luas e ventos.
Estar com ele é ter a medida exata do meu desejo:
desabito minha solidão
e atravesso a cidade submersa para tê-lo dentro).

Ele sabe que tenho pressa
em tecer amor nas tardes.
Ele sabe:
tenho urgência em principiar alegorias
de intensos amores
em poemas que ardem.

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Marla de Queiroz


P.S.: Vendas do meu livro " Flores de Dentro pela Editora Multifoco ou autografado por mim pelo e-mail: marlegria@gmail.com.

P.S.2: Meus amores, nem sei como agradecer pelos comentários sobre o livro no meu orkut, pelos e-mails incríveis que tenho recebido diariamente...Tenho recebido tanto, tanto afago que preciso de ajuda pra sentir.Obrigada também a todos que vêm sempre aqui e comentam, divulgam ou simplesmente mantêm-se no anonimato.

Estou vivendo uma primavera espiritual! Desejo o mesmo a vocês!

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Carta

É fato que fomos. Mas seria muito esquisito me despedir de você cumprindo todos os pré-requisitos dos dramas clássicos. Prefiro acreditar que você foi uma chuva precipitada que eu só tive coragem de experimentar por detrás da vidraça. Assim, como já fizemos tantas vezes com outras pessoas.Também queria te dizer que só vou me entregar à outra narrativa quando ela se tornar uma história coesa, coerente, bem elaborada. Renuncio desde agora às relações em que todos os passos levam apenas a um contato irremediavelmente externo com a palavra.Eu gosto mesmo é de misturar agudezas com tons graves. Bem se vê na escala cromática dos meus sentimentos.Meus amarelos tão vivos, primitivos.Meus vermelhos tão trêmulos. Minhas cores acesas, em brasa.Mas, no meio disso tudo, quero te contar que ando tão emendada em eventos sociais que sinto saudade da minha solidão. Ela tem o aspecto positivo de não me deixar me perder de vista. Eu preciso me olhar bem por dentro, de tempos em tempos, por um bocado de dias pra que eu continue merecendo minha poesia.É diferente da solidão que se sente quando se está acompanhado: neste caso, perdemos de vista o outro.
E tenho estado muito feliz, antes que você pergunte. Tenho mania de adiantar momentos incríveis com a força do meu pensamento, você sabe. Depois eles se materializam e eu os celebro.
Então, janeiro foi embora sem se despedir...FERVEreiro no Rio,e ontem foi dia de Iemanjá. Pensei em jogar palmas no mar como tantos, mas não tive coragem, ele estava engasgado com tanto lixo: herança de um domingo de sol.Deu até aperto no peito.Nenhuma onda e o mar calmamente imundo.
Nem era sobre isso que eu ia falar.Mas esses assuntos que mudam de rumo repentinamente se parecem muito com nós dois: desejo e poluição.
E a impossibilidade de mergulhos.



(É fato o que fomos.)


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Marla de Queiroz




P.S.: Ainda o esquema do livro autografado pelo e-mail ou pelo site ( post anterior).


P.S.: Por favor, não deixem o lixo na areia, isso é um crime ambiental grave! As ondas levam embora todo aquele plástico muito antes dos garis passarem recolhendo....isso é muito sério: ver gente que aparentemente tem educação e informação suficientes, deixando suas garrafinhas de plástico e todo o lixo consumido num fim de praia como se o mar fosse autolimpante.É vergonhoso usufruir de tudo que a natureza nos proporciona gratuitamente e deixar rastros de poluição. Sejamos mais conscientes. Sejamos um exemplo fazendo a nossa parte.
P.S.2: Na foto, meu fim de praia

Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

Sintonia


Foto: Gonçalo Martins

Ele faz samba e cálculos.
Eu, pose e poesia.
E a gente dança junto letra e música
na matemática dessa sintonia.

Embora as duas coisas se completem,
gosto mais nele aquilo que destoa:
Falar da vida de forma enciclopédica
relatando dados, datas, estatísticas.

(Gosto que me traga o que não domino.
Gosto que me envolva no que não conheço.)

E eu entendo melhor quando ele ensina:
Em tempos de crise,
coração aberto e renovado,
só podia atrair um economista.
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Marla de Queiroz

P.S.: Obrigada aos muitos leitores que me mandam e-mails encomendando o meu livro!
Estou mais popular no Correio do Leme que os carteiros! rsrsrsr
Todos os dias envio vários para o mundo inteiro.É uma alegria absoluta!
Aos que ainda não têm e gostariam de adquiri-lo autografado, mandem e-mail
pro marlegria@gmail.com
O livro custa R$ 25,00 e a postagem nacional R$5,00.
Após o envio (carta registrada), eu mando o código da postagem
para que a pessoa possa rastrear pelo site dos correios.
Leva em média 3 ou 4 dias pra chegar.
Muito amor!!!!!
P.S.2: É inadimissível não compartilhar isso com vcs:
comentários sobre o livro da Amanda Proetti
comentários sobre o livro da Iêda Santos
exercícios de teatro com prosa minha da Judite
É só clicar nos nomes.

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

Sobre o Amor



Foto: Fabianna Espíndola


Amar você é ter vontade de ir a lugares que não conheço e me expor de um jeito que me ilumina. É transgredir a ordem das coisas, transmutar medos antigos e cantarolar canções novas.Amar você é passear por entre haicais, sonetos e trovas.

Amar você é descobrir que alguns mergulhos são desnecessários, que algumas coisas existem para se conhecer só na superfície, dispensando dicionários, porque elas são simplesmente aquela estrada rasa feita pra se caminhar por cima e a esmo.É eu saber teu colo e você a minha mão quente. É esse nosso afago relembrar a euforia das paixões adolescentes. É poder ouvir exatamente o que foi dito sem procurar uma mensagem oculta, uma palavra mágica dissolvida no contexto ou outros indícios. É respeitar tuas vontades, tua inconstância, tuas dificuldades. É saber que uma meia-verdade pode ser a verdade mais sincera de cada um...

Amar você é também mergulhar nos meus textos e ficar submersa observando as coisas por dentro porque a densidade delas é o essencial, é o meu centro. É entender tuas limitações porque me olho e vejo as minhas, é conceber minhas mudanças porque também vejo as tuas. É não deixar que nada corrompa nossas essências, porque nos queremos melhorar para o mundo, porque queremos embelezar nosso universo, porque queremos ser além das aparências. É saber que cada passo que dou será na direção que escolhi e que só terei o conforto da sua companhia se, por acaso, quiser seguir o mesmo rumo. Porque somos unos, múltiplos, imensos, nunca os mesmos, sempre os únicos, os mais intensos.
É encontrar leveza nas emoções que nos transbordaram porque estávamos prontos. É escrever um dicionário de palavras distraídas. E adentrar o corpo de um poema recente, ainda disforme. É falar de amor usando a metáfora mais inocente. É também experimentar a simplicidade com que tudo pode ser vivido, até àquela hora em que o desejo dorme. É vir à tona e, sem sustos, te deixar ser e me vir refletida, pedra bruta antes de ser polida, até a hora da próxima fome.
Amar você é amar aquilo que, de outra forma, jamais faria sentido: é abraçar teu passado, teus traumas, teus vazios, tuas confusões e angústias existenciais como quem abraça a um amigo.
É agradecer profundamente, ao acordar, por esta pessoa inteira, que jamais será uma metade e que me escolheu para a soma, e que com todas as alternativas que teve, preferiu seguir comigo.
(Amar você me fortalece.)
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Marla de Queiroz

P.S.1: Dia 19/01 o blog completa 3 anos de existência e como sempre faço, escolhi um texto dos que gosto que já foi postado, mas que se perdeu nos arquivos. Este é um mantra meu, representa o tipo de relação que estou disposta a viver.

P.S.2: Peguei mais exemplares na editora, os que não conseguirem comprar o livro pelo site www.editoramultifoco.com.br tem a opção de me mandar um e-mail para marlegria@gmail.com que eu envio autografado pra qualquer lugar.
Obrigada sempre!


P.S.3: Foto que ganhei de presente de uma leitora do blog.

Sábado, Janeiro 03, 2009

Um brinde!



Deslizo pelos dias, tantas comemorações, minha vida esse raio de sol que não cessa.
Já escrevi muita coisa triste, já perdi tanta coisa com resignação e até com destreza.
Agora nem me apavoro, toda dor é só um sopro em meio ao que vislumbro de possibilidades. Criatividade, eu aprendi, é inventar alternativas quando não se tinha. Onde não se via. Por enquanto, só o que tem me preocupado são as novas regras ortográficas, já que palavras compõem meus fatos, meus sonhos, minhas narrativas.
E se eram os hífens que me separavam do meu amor-próprio, tenho tudo que preciso agora: tanto autorrespeito.
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Marla de Queiroz
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P.S.: Que venha esse novo ano repleto de delícias!!!!!!!!!
Caso vocês não consigam comprar o livro pelo site da editora
www.editoramultifoco.com.br , mande-me um email para marlegria@gmail.com
que eu envio pra vocês autografado!
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Foto tirada pela Lua Leça

Quinta-feira, Dezembro 25, 2008

Quando o passado espreita




Desculpa eu não te querer mais logo agora que a vida está sendo doce comigo. Têm coisas suas que não cabem na minha alegria como, por exemplo, tuas feridas tão antigas e as curas que eu fazia pra te consertar pro mundo, mas continuar com minhas mãos vazias.Desculpa eu desobedecer a demanda da tua angústia. Eu não quero mais ouvir, naquela passividade profunda de amante, tuas lamúrias, tuas escolhas equivocadas, teu emocional sempre tão confuso.

Eu só quero celebrar as minhas flores de dentro da forma mais adequada.
Eu não tenho mais tempo para ser aquela pessoa certa na tua hora errada.
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Marla de Queiroz

P.S.1: Dia 28/12 comemoro meu aniversário, eu completo 1.584 luas.E já recebi todos os melhores presentes que alguém da minha idade poderia ter: uma família incrível, meus amigos tão especiais, minha rotina particularmente poética, o lançamento do meu primeiro livro, o meu blog que me dá tantos novos amigos íntimos virtuais e tanto carinho. Eu só quero continuar sendo merecedora dessas coisas todas, por isso invisto no meu melhoramento como pessoa.

P.S.2: o meu livro “ Flores de Dentro” está sendo vendido pelo site: www.editoramultifoco.com.br

P.S. 3: Alguns anônimos passam por aqui e fazem comentários que eu adoraria responder. Por favor, deixem algum e-mail.

P.S.4: Na foto, minha colagem.

P.S.5: Obrigada por tudo,sempre.
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Marla de Queiroz

Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

Agradecimentos


Minha foto tirada pela Lua Leça

Fiquei pensando no que eu poderia escrever aqui, no dia seguinte ao lançamento do livro.Mas estou ainda muito anestesiada, extasiada, embriagada de amor.Acho que nunca me senti tão amada, tão vasta, tão em casa, tão feliz. Primeiro, tive a melhor sensação do mundo ao ver meus filhos empilhados numa mesa.Tão recém-nascidos. Tive ímpetos de guardá-los novamente no meu ventre. Queria todos para mim. Depois eu os vi saindo, um a um. Foram para tantas casas diferentes, na companhia de pessoas tão especiais...Não sei explicar, mas se dei 90 autógrafos, todos foram pessoais e seguidos de um abraço forte, demorado...Não existia mais o tempo.Eu me permiti me demorar naquela maior alegria da minha vida.E tantas pessoas trabalharam espontânea e gratuitamente praquela festa acontecer. Eu não sei quando foi a última vez que me senti tão bonita.E o que posso dizer ainda, é o que disse ontem pros que estavam presentes: a repercussão que a minha poesia teve, tem, não me dá vaidade. Ela só me diz da minha responsabilidade e respeito que preciso ter com as palavras. Se a minha poesia sou eu, é preciso que eu me melhore pra que ela continue sendo honesta.
Eu estou muito, muito emocionada. E nunca vou esquecer esse meu primeiro melhor momento da minha vida.
“ Obrigada” é palavra que não comporta toda minha gratidão.
Vou descansar um pouco, mas volto logo.

P.S.: Em um ano e meio, esse blog ultrapassou os 100.000 acessos. E eu só preciso de ajuda pra sentir. Eu os agradeço eternamente.
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P.S.2: O livro já está à venda pelo site:

www.editoramultifoco.com.br
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Marla de Queiroz

Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

Lançamento do meu livro!!!!!!!!


Amores,
É com muita alegria e frios e frios na barriga que eu os convido para o lançamento do meu livro!
Meu primeiro filho vai nascer!!!!!!!!!!!!!!!!hahahahaha!!!!!!!!!!!!Nem acredito!
E não pensem vocês que será numa livraria com gente cult e nenhuma farra,
será num casarão na Lapa com as pessoas mais interessantes e animadas do Rio de Janeiro! Celebração total com muita música brasileira pra dançar, DJ Rafael Braga, e algumas atrações especialíssimas, não faltará amigo músico para dar canja até às 02h da manhã...
O evento começará às 19h, pensei em dar autógrafos (!) até às 21h e cair na pista com vocês.
Por favor, cheguem cedo pra eu não me apavorar e achar que não vai ninguém!Ou pelo menos torçam por mim, divulguem!
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P.S: Há semanas não durmo direito. Esperei muito por esse dia, estou em polvorosa!Haja chá de camomila!
Ah, e pros que não puderem comparecer ao lançamento e tiverem interesse em adquirir o livro, a Editora Multifoco também venderá pela internet através do site: http://www.editoramultifoco.com.br/
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OBRIGADA A TODOS VOCÊS POR TEREM CAMINHADO COMIGO ATÈ AQUI!
SIGAMOS JUNTOS!